Hillary e Suu Kyi promovem aproximação entre EUA e Mianmar

Em clima de amizade, secretária de Estado americana e líder birmanesa prometem trabalhar juntas por reformas e melhores relações

iG São Paulo |

Em uma impressionante exibição de amizade, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a líder pró-democracia birmanesa Aung San Suu Kyi prometeram nesta quinta-feira trabalhar juntas para promover reformas em Mianmar e melhorar as relações do país com os Estados Unidos.

No terceiro e último dia de uma visita histórica a Mianmar, a primeira de uma secretária de Estado dos EUA ao país em mais de 50 anos, Hillary e Suu Kyi seguraram as mãos e se abraçaram em frente à casa onde a birmanesa passou grande parte das duas últimas décadas em prisão domiciliar.

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Reuters
Hillary Clinton abraça Aung Dan Suu Kyi em frente à casa da líder birmanesa em Yangon, Mianmar

Hillary agradeceu Suu Kyi por sua “firmeza e liderança clara”. “Fomos inspirados por sua coragem diante da intimidação e por sua serenidade durante décadas de isolamento, mas principalmente por sua devoção ao seu país e à liberdade e dignidade de seu povo”, disse.

A secretária de Estado americana voltou a dizer que os EUA estão preparados para "recompensar" Mianmar se mais presos políticos forem libertados, se a perseguição contra minorias étnicas acabar e se houver mais respeito aos direitos humanos.

Hillary também anunciou que os EUA investirão cerca de US$ 1,2 milhão em projetos preliminares para ajudar a população de Mianmar, como programas de microcrédito, assistência à vítimas de minas terrestres e iniciativas de saúde.

“Estamos preparados para ir mais longe se as reformas continuarem”, disse Hillary. “Mas a história nos ensinou a ser cuidadosos. Sabemos que já houve muitos passos para trás e muitas decepções nas últimas décadas.”

Suu Kyi agradeceu Hillary e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por seu engajamento “cuidadoso e calibrado” em relação a Mianmar. “Se trabalharmos juntos, tenho certeza de que não haverá volta no caminho em direção à democracia”, afirmou a líder birmanesa. “Não estamos nesse caminho ainda, mas espero que possamos chegar lá o mais rápido possível, com a ajuda e a compreensão de nossos amigos.”

Ela acrescentou que o apoio dos Estados Unidos fará com que o caminho adiante “se torne mais claro” e aumenta sua confiança no avanço do processo de democratização do país.

Foi a segunda reunião entre as duas mulheres que tiveram uma longa conversa durante um jantar de três horas em Yangon na quinta-feira. Uma autoridade americana afirmou que o jantar marcou o começo do que parece ser “uma grande amizade” entre Hillary e Suu Kyi.

Mianmar passou décadas sob um regime militar que isolou o país, mas recentemente os generais libertaram parte dos presos políticos e fizeram a transição para um governo nominalmente civil.

Depois da brutal repressão militar a protestos em 1988, e da anulação de eleições vencidas pelo partido de Suu Kyi, em 1990, os EUA rebaixaram o status da sua representação diplomática em Mianmar, que passou a ser comandada por um encarregado de negócios, e não mais por um embaixador.

Com AP e Reuters

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