Hillary e McCain aproveitam Dia de Martin Luther King para fazer campanha

María Peña Nashville (EUA), 4 abr (EFE).- A senadora e pré-candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e o concorrente republicano nas eleições, John McCain, se uniram aos ativistas e sindicalistas que hoje celebram no Tennessee o legado do líder dos direitos civis Martin Luther King, morto há 40 anos.

EFE |

A peregrinação ao Tennessee, e em particular a Memphis, coincide com a acalorada campanha eleitoral protagonizada por McCain, Hillary e o outro pré-candidato democrata, Barack Obama, que se apresentam como a melhor alternativa para a concretização de avanços sociais no país.

Durante um discurso no antigo Motel Lorraine, onde Martin Luther King foi assassinado, McCain, senador eleito pelo Arizona, fez um mea-culpa ao dizer que errou quando, em 1983 e durante muitos anos, se posicionou contra a proclamação de um dia em homenagem ao líder negro.

Debaixo de uma forte chuva, McCain elogiou a luta de Martin Luther King pela igualdade racial e pela justiça econômica. Além disso, declarou que teve a oportunidade de se redimir de seu longínquo equívoco ao "lutar pelo reconhecimento" do famoso ativista com a instituição de "um feriado" no Arizona.

Apesar de alguns terem vaiado o candidato, o público, majoritariamente afro-americano, gritou que lhe perdoava.

Já Hillary voou 3.000 quilômetros, da Califórnia direto para Memphis, para participar de um ato em uma igreja, durante o qual lembrou a "desesperança" na qual se viu mergulhada quando soube da morte do líder.

Por sua vez, Barack Obama, o único que não esteve em Memphis, destacou como Martin Luther King teve a capacidade de entender que a "luta pela justiça econômica e a justiça racial é a mesma".

Aproveitando a data, o presidente George W. Bush emitiu um comunicado no qual lembrou como o assassinato do ativista "furtou dos EUA o maior e mais conseqüente defensor dos direitos civis e da igualdade", e que esta luta continua e ainda não terminou.

Seguindo a mesma linha, em um ato cívico em Nashville, a ativista afro-americana Angela Davis argumentou que o sonho de Martin Luther King não se realizou, "porque, se isso tivesse acontecido, não haveria racismo" nem milhões de pessoas na pobreza por causa do neoliberalismo.

Angela lembrou ainda que a vida do líder desencadeou uma onda de protestos e distúrbios raciais em mais de uma centena de cidades americanas, mas, além disso, fez aumentar a militância pelos direitos civis e trabalhistas no país.

Contrário ao uso da violência na resolução de conflitos, Martin Luther King Jr., agraciado com o Prêmio Nobel da Paz quando tinha 35 anos, liderou mobilizações contra a segregação e a discriminação dos negros durante as décadas de 1950 e 1960.

Quando foi assassinado, o ativista, que se tornara uma influente personalidade política, tinha viajado a Memphis para organizar uma campanha por um salário digno para os trabalhadores de saúde.

Em entrevista à Agência Efe, Dennis Dickerson, professor de História na Universidade Vanderbilt, disse que, apesar das desigualdades subjacentes, a minoria negra obteve avanços significativos desde a lei de direitos civis de 1964.

"Antes, era impensável ver negros nas universidades ou um candidato negro com chances reais de chegar à Presidência. As coisas melhoraram, embora isso não seja desculpa para buscar uma mudança em outras áreas", disse Dickerson.

O professor considerou um erro colocar os desafios dos negros como um "problema racial" porque a pobreza, o êxodo escolar e os problemas relacionados ao sistema de saúde "são fenômenos que também atingem brancos e hispânicos".

No entanto, essas são questões que afetam com especial dureza os negros, que, com 40,2 milhões de pessoas, são 13,4% da população.

Segundo o censo, 24,3% da população afro-americana vive da pobreza, 20,5% não tem seguro médico e só 18% tem formação universitária.

"O sonho de King não se realizou totalmente e isso deve dar ímpeto à nova geração de ativistas que não tem a bagagem daquela era e pode retomar sua causa", enfatizou Dickerson. EFE mp/sc

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