Hillary e Lieberman discordam sobre assentamentos na Cisjordânia

Celine Aemisegger. Washington, 17 jun (EFE).- A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, e o Ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, não entraram em acordo hoje sobre a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia, com posturas radicalmente opostas e aparentemente imutáveis.

EFE |

Lieberman, que se reuniu com a chefe da diplomacia americana em sua primeira visita oficial a Washington desde que assumiu o cargo, disse à secretária de Estado que seu Governo não paralisará totalmente a expansão dos assentamentos na Cisjordânia.

"Não podemos aceitar esta postura de interromper completamente os assentamentos. Devemos manter o crescimento natural", como tinha afirmado o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em seu discurso no domingo passado, disse Lieberman em entrevista coletiva conjunta, depois de sua reunião com Hillary.

"Acho que esta posição, esta visão, este enfoque está muito claro", acrescentou o ministro de Exteriores israelense, que reiterou sua declaração dada na terça-feira em Luxemburgo, de que Israel está preparado para iniciar "imediatamente" um diálogo direto com os palestinos.

Lieberman destacou que pretende manter o rumo estipulado pela Administração de George W. Bush sobre a construção dos assentamentos.

Israel alega que recebeu o sinal verde do Governo Bush para a expansão de alguns assentamentos já existentes, em uma carta enviada ao ex-presidente dos EUA, em 2004, pelo então primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

A secretária de Estado americana insistiu que o Governo de Barack Obama quer que Israel suspenda a construção de assentamentos.

"Queremos ver uma interrupção (da construção) dos assentamentos.

Consideramos que isto é uma parte importante e essencial dos esforços para alcançarmos um acordo de paz integral e a criação de um Estado palestino (que conviva) junto com um Estado judeu israelense", assinalou.

Também disse que o Governo não deve cumprir acordos "informais ou verbais" da Administração anterior com Israel.

Hillary explicou que o enviado especial dos EUA no Oriente Médio, George Mitchell, abordará as diferenças e preocupações existentes, nas próximas semanas, quando intensificará os esforços para impulsionar as negociações o mais rápido possível.

Mitchell viajará no dia 25 de junho para Paris, onde se reunirá com Netanyahu, disse hoje o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Philip Crowley.

Netanyahu estabeleceu, no domingo, as bases para retomar as negociações de paz ao declarar apoio, pela primeira vez, à criação de um Estado palestino, embora tenha imposto condições.

O primeiro-ministro exigiu, em seu discurso, que os palestinos reconheçam Israel como um Estado judeu e descartou o controle partilhado de Jerusalém, pediu a desmilitarização e não se comprometeu com o fim da construção dos assentamentos.

Os EUA avaliaram como positivo o discurso do líder israelense, porque, embora tenha estabelecido condições, apresenta pela primeira vez um objetivo comum: a buscar por uma solução para os dois Estados.

No entanto, o discurso foi duramente criticado pelos palestinos e outros países árabes e gerou a dúvida se essas condições permitirão algum avanço no processo de paz.

Apesar disso, Hillary se mostrou confiante de que há espaço para aproximações, ao lembrar que vários primeiros-ministros israelenses de diferentes partidos iniciaram as negociações com uma postura e depois mudaram suas opiniões.

A secretária de Estado ressaltou que os EUA "nunca farão nada para abalar a segurança de Israel", mas também "apoiam um Estado palestino viável", e não consideram que estes dois objetivos sejam incompatíveis, mas se tratam de "elementos críticos para uma paz segura e integral", explicou.

Hillary e Lieberman também discutiram sobre o Irã em sua reunião e reiteraram a necessidade de que Teerã cumpra com suas obrigações internacionais e suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio. EFE cai/pd

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