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Hillary e Gates, o núcleo da equipe de segurança de Obama

O presidente eleito Barack Obama, que já anunciou os nomes principais de seu estado-maior econômico, deverá fazer o mesmo com a futura equipe de segurança nacional, que poderia ter como núcleo Hillary Clinton, no Departamento de Estado, e Robert Gates, no da Defesa.

AFP |

Sem revelar oficialmente a identidade dos interessados, a equipe de transição do futuro ocupante da Casa Branca deixa a entender que importantes nomeações podem ser anunciadas a partir de segunda-feira, durante a próxima entrevista à imprensa de Obama.

Hillary Clinton, grande rival de Barack Obama nas primárias do Partido Democrata às eleições presidenciais, deverá suceder à Condoleezza Rice neste prestigiado posto.

Paralelamente, a manutenção no cargo atual do secretário de Defesa Robert Gates estaria "já decidida", segundo a rede de televisão ABC.

Segundo outros grandes meios de comunicação americanos, Gates permaneceria no Pentágono durante o primeiro ano de poder de Obama, que tomará posse no dia 20 de janeiro, ficando encarregado de concretizar a promessa democrata de retirar as tropas americanas do Iraque.

Será a primeira vez que um secretário de Defesa fará parte da equipe de governo de um outro partido.

Segundo a imprensa americana, Gates, 65 anos, poderá ocupar o posto temporariamente antes de ceder o lugar ao ex-secretário da Marinha Richard Danzig, atual conselheiro militar de Barack Obama.

Entre as outras designações pressentidas figura a do general James Jones, um ex-comandante da Otan, para o cargo de conselheiro da segurança nacional, segundo o site Politico.com.

A mesma fonte aponta Susan Rice, uma assessoria ligada a Obama em matéria de política externa, como embaixadora na ONU, enquanto que o almirante (da reserva) Dennis Blair irá para a informação americana.

Obama "se cerca de personalidades fortes", declarou David Axelrod, que será o futuro conselheiro do presidente na Casa Branca. Mas "há uma só pessoa que estará encarregada de toda a política do governo e esta pessoa é o presidente dos Estados Unidos. Isto vale para a economia, e vale também para as Relações Exteriores".

Em relação à possibilidade de escolha de Hillary, o ex-presidente americano Bill Clinton já se ofereceu para submeter as próprias atividades a uma revisão ética e identificar os doadores da fundação que leva o seu nome, caso a esposa seja indicada como secretária de Estado, como forma de sanar eventuais conflitos de interesse.

O ex-presidente também solicitará a autorização do governo de Obama antes de aceitar compromissos de participação paga em seminários ou futuras doações para sua biblioteca presidencial e a fundação Clinton Global Initiative.

Os analistas fazem todo o tipo de especulações sobre a possibilidade da nomeação de Hillary, figura política influente e que há pouco tempo qualificava de "ingênua" a proposta de Obama de negociar sem condições com o Irã. Agora, poderá ser ela mesma a responsável em preparar o degelo das relações com Teerã.

"Clinton quer ser tão transparente quanto deseja a equipe de Obama", afirmou uma fonte.

Apesar da contundência política da ex-primeira-dama e candidata a presidência, os analistas consideram que Obama poderá manter um controle firme da situação se a nomear para o comando da diplomacia americana.

"Obama é uma pessoa suficientemente segura de suas capacidades para não temer a entrada de uma antiga rival em seu gabinete", afirmou Andrew Bacevich, professor de Relações Internacionais na Universidade de Boston.

"Nas últimas administrações, o centro de poder em política externa se concentrou na Casa Branca, que teve preponderância no momento de coordenar as diferentes agências governamentais para enquadrar a postura dos Estados Unidos frente ao mundo", acrescenta.

Alguns comentaristas se perguntam qual a razão de Obama querer incluir Hillary em seu governo, diante das turbulências que ainda existem entre seus partidários.

O professor Bacevich considera que a senadora por Nova York é uma líder com uma visão tradicional que poderia reorientar as relações externas depois da tumultuada era Bush, mas que de maneira alguma isto mudará a ortodoxia diplomática dos Estados Unidos.

Obama sabe que Hillary tem a reputação de ser mais partidária da linha dura que ele e, por este motivo, pode representar uma cartada para executar políticas controversas, como uma aproximação com o Irã.

Além disso, em meio à crise financeira, ter alguém com a inteligência e a estatura de Hillary para representá-lo diante do mundo pode ser uma idéia atraente.

"Hillary supera o restante dos candidatos ao posto", afirma David Rothkopf, especialista em segurança nacional.

"Tem uma estatura internacional. Será capaz de dialogar diretamente com o presidente e expressar-se com eficácia para tornar-se sua melhor advogada no cenário internacional", acrescenta.

Atualmente, a equipe de transição de Obama está investigando os antecedentes e as finanças do casal Clinton para ver se existem impedimentos à nomeação.

Alguns analistas consideram que há mais cálculos em jogo.

"Hillary Clinton terá muitas dificuldades para criticar a administração Obama se fizer parte dela", opina Costas Panagopoulos, da Universidade de Fordham, que já trabalhou na equipe da senadora por Nova York.

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