Hillary diz que conversar com talibãs é necessário

Londres, 28 jan (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, admitiu hoje ao término da Conferência de Londres sobre o Afeganistão que, é necessário estabelecer um diálogo com o inimigo, antes ou depois.

EFE |

"É necessário estar disposto a ter um relacionamento com seus inimigos", disse Hillary na entrevista coletiva concedida ao término da reunião de Londres quando perguntada por uma eventual participação dos talibãs em um processo de diálogo nacional para acabar com o conflito do Afeganistão.

A Conferência abriu caminho para o plano do Governo afegão que prevê um programa de reconciliação nacional com contribuições econômicas da comunidade internacional para que os talibãs moderados deixem as armas.

Sobre a eventual participação dos talibãs nesse programa de reconciliação, que incluirá a convocação de uma "jirga" (assembleia tradicional afegã) para falar de paz, Hillary ressaltou que se trata de um assunto de política interna dos afegãos e garantiu que os Estados Unidos não participarão ou intervirão.

No entanto, argumentou que integrar os combatentes talibãs à sociedade dará mais estabilidade e segurança ao Afeganistão e disse estar convencida de que, com "os incentivos adequados", muitos guerrilheiros abandonarão as armas.

Hillary lembrou que a única exigência é que renunciem de maneira expressa à violência e a seus vínculos com os talibãs ou outros grupos extremistas islâmicos, como a rede terrorista Al Qaeda.

Neste sentido, ressaltou o apoio que Washington dará ao fundo de reinserção aprovado na Conferência de Londres e que recebeu hoje compromissos no valor de US$ 140 milhões, segundo anunciou o ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband.

O que Washington seguirá muito de perto, disse a chefe da diplomacia americana, será o cumprimento por parte da administração do presidente afegão, Hamid Karzai, de suas promessas de luta contra a corrupção e de gestão eficaz da ajuda.

Hillary também disse que a agenda proposta na conferência para a entrega gradual da segurança do Afeganistão às forças locais, que pode começar no final deste ano, "não se trata de uma estratégia de saída".

"Trata-se de assessorar e de atuar como parceiros dos afegãos", explicou a secretária ao reiterar que, em qualquer caso, a intenção dos EUA é começar a retirar suas tropas a partir de meados de 2011, como anunciou o presidente americano, Barack Obama. EFE fpb/bba

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