WASHINGTON - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, traçou nesta quarta-feira as linhas da política externa dos Estados Unidos, que terá em Irã, Coreia do Norte, Iraque, Afeganistão, Paquistão e Oriente Médio seus claros objetivos.

AP
Hillary fala no Conselho de Política Externa

Em seu primeiro grande discurso sobre política externa desde que assumiu, há seis meses, a chefia da diplomacia americana, delineou no Conselho de Assuntos Exteriores uma ambiciosa agenda que não deverá ser fácil de pôr em prática.

Entre suas prioridades, a secretária de Estado se referiu ao programa nuclear da Coreia do Norte e disse que os resultados a longo prazo da diplomacia acontecerão mediante "um esforço conjunto mais forte" para a completa e verificável desnuclearização de Pyongyang.

Ao se referir que política externa requer tempo, paciência, mas também persistência, Hillary falou do conflito palestino-israelense e aproveitou para chamar os países árabes a um maior apoio ao processo de paz.

O progresso para a paz no Oriente Médio, assegurou Hillay, não pode ser somente responsabilidade dos EUA ou de Israel, mas "terminar com o conflito requer ação de todas as partes".

"Os Estados árabes têm a responsabilidade de apoiar a Autoridade Palestina com palavras e atos, para dar passos encaminhados a melhorar as relações com Israel e a preparar sua gente a apoiar a paz e a aceitar o lugar de Israel na região", disse.

No que se transformou em outra prioridade de seu governo, Hillary Clinton também falou do Irã.

Reiterou a vontade americana de dialogar com Teerã, mas advertiu que sua oferta não permanecerá sobre a mesa indefinidamente e que a oportunidade de atuar já chegou.

"A escolha é clara. Continuamos preparados para entabular contatos com o Irã, mas o tempo para a ação já chegou. A oportunidade não estará aí indefinidamente", assinalou Hillary.

No entanto, ressaltou que o governo "não se ilude" de que eventuais conversas com o Irã vão gerar resultados espetaculares.

Em Afeganistão e Paquistão, os EUA querem desmantelar e derrotar a Al Qaeda e seus aliados extremistas, lembrou Hillary Clinton, que antecipou que viajará nos próximos meses a Islamabad.

A secretária de Estado ressaltou que EUA e Afeganistão estão preparados para tratar com os talibãs e pedir que abandonem a Al Qaeda, larguem as armas e estejam dispostos a participar de uma sociedade livre e aberta delineada como na Constituição afegã.

Por último, Hillary Clinton repassou a estratégia de Washington no Iraque, onde impulsiona programas diplomáticos e de desenvolvimento enquanto retira as tropas do país e cria uma relação econômica, política e de cooperação.

A diplomata quase não fez menção à América Latina, salvo quando destacou o papel dos emergentes, como Brasil, como parte importante para avançar na agenda global, além da responsabilidade que os EUA assumem em problemas como o tráfico de drogas no México.

Segundo Hillary, seja na América Latina ou em outros países como Líbano, Irã ou Libéria, que entendem o que significa democracia, "se encontrará um amigo nos EUA".

"Nossa vontade de dialogar não é um sinal de fraqueza que pode ser explorado. Não duvidaremos em defender energicamente e, se necessário, com o Exército mais forte do mundo, nossos amigos, nossos interesses e, acima de tudo, nossa gente", afirmou.

Hillary lembrou que o governo adotou uma postura mais flexível e pragmática com seus parceiros, e que não fará força para exigir apoio ou não, uma prática segundo ela empregada pela Administração anterior.



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