Hillary defende bases na Colômbia e pede ajuda no combate às drogas

María Peña. Washington, 18 ago (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou hoje que o acordo de colaboração militar pactuado com a Colômbia respeita a soberania e integridade territorial do país e não envolve outros Estados da região.

EFE |

Em um comparecimento com o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, após um encontro bilateral, Hillary pediu à comunidade internacional que, em vez de criticar o acordo bilateral entre os dois países, colabore na luta contra as drogas.

"O acordo não concerne a outros países. Trata-se da cooperação bilateral entre Estados Unidos e Colômbia sobre assuntos de segurança dentro da Colômbia", afirmou.

Ciente da oposição regional ao acordo, a chefe da diplomacia americana ressaltou que o pacto contém um "claro reconhecimento da soberania e integridade territorial" da Colômbia.

Ela também estimulou outros países da região a que, disse, ajudarem "nesta luta" contra o tráfico de drogas.

"Não fiquem simplesmente à margem e certamente não contribuam aos problemas ao dizer e fazer coisas que prejudicam os esforços que nossos Governos estão fazendo para tentar proteger a região inteira do flagelo dos narcotraficantes", afirmou a secretária americana.

Hillary ressaltou que o acordo não procura nem estabelece bases militares dos EUA na Colômbia, que o país terá o controle absoluto da administração e segurança nas sete bases e que qualquer atividade americana será realizada mediante consenso mútuo.

Ela acrescentou que os Estados Unidos respeitarão o limite imposto pelo Congresso de 1.400 soldados e prestadores de serviços civis na Colômbia, pelo que não haverá um aumento significativo da presença militar americana no país.

A chefe da diplomacia dos EUA enumerou os desafios regionais que requerem "atenção e colaboração", como a crise econômica, a mudança climática, a gripe A, o tráfico de drogas, o terrorismo e o crime organizado.

O acordo foi firmado na sexta-feira em Washington, e foi uma resposta ao Equador, que se negou a renovar um acordo de dez anos que tinha com os Estados Unidos para o uso da base em Manta, no litoral do Pacífico.

Em entrevista aos jornalistas, um funcionário de alta categoria do Departamento de Estado, que pediu o anonimato, considerou que o acordo poderia ser assinado em questão de um mês, após um processo de revisões técnicas e linguagem.

O funcionário não disse se os EUA participarão de uma cúpula extraordinária convocada pela União de Nações Sul-americanas (Unasul) em Bariloche, sul da Argentina, em 28 de agosto e onde o acordo será discutido.

"Temos até essa sexta-feira" para decidir, disse.

Ele acrescentou que o acordo formaliza os tratados de cooperação bilateral que datam de antes da implementação do Plano Colômbia.

De acordo com uma folha de dados do Departamento de Estado, os EUA terão acesso a um total de sete bases, entre estas as de Palanquero, Apiay e Malambo.

Palanquero é chave, afirmou o funcionário, por sua proximidade geográfica ao epicentro do problema de segurança e narcotráfico no país.

Os Estados Unidos também terão acesso, com o consentimento da Colômbia, a duas bases navais e a outras duas do Exército desse país.

Ele não pôde explicar se o acordo inclui cláusulas relacionadas com os direitos humanos ou a imunidade a pessoal militar americano.

Paralelamente ao acordo, um projeto orçamentário no Congresso para o ano fiscal 2010 destina US$ 46 milhões para a modernização de Palanquero, porque, afirmou o funcionário, esta "não reúne os requisitos de segurança" para o pessoal militar dos Estados Unidos.

No discurso, Bermúdez se congratulou pela relação "próxima" dos dois países, agradeceu o acompanhamento "eficaz" de Washington, e afirmou que a luta antidrogas só será bem-sucedida através da cooperação.

"Que bom que seria se houvesse mais acordos de cooperação como o que temos hoje com os Estados Unidos e que possam se desenvolver em toda a região com todos os países", afirmou Bermúdez de forma crítica.

O chanceler assegurou que a Colômbia pede, mas também oferece colaboração em matéria de segurança dos demais países, como fez no caso de Afeganistão, Haiti, México, Guatemala e Panamá. EFE mp/db

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