Hillary critica reconhecimento de genocídio armênio pelo Congresso

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que o governo dos Estados Unidos se opõe à resolução da Comissão de Assuntos Exteriores do Congresso do país que reconhece o genocídio armênio ocorrido em 1915.

iG São Paulo |


"A Administração (do presidente americano, Barack Obama) se opõe firmemente à resolução do Congresso que passou por apenas um voto. Vamos trabalhar muito duro para garantir que não passe no Senado", disse Hillary em entrevista coletiva, na Guatemala.

A secretária de Estado americana faz uma curta visita ao país, última etapa de sua viagem pela América Latina e que incluiu uma passagem pelo Brasil.

Na quinta-feira, o Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes dos EUA aprovou uma medida que considera "genocídio" o massacre de armênios pelo Império Otomano em 1915.

Hillary assegurou que, quando voltar para Washington, ainda nesta sexta-feira, trabalhará na questão, que preocupa a Casa Branca pelo impacto que pode ter nas relações com a Turquia.

Repercussão na Turquia

Na Turquia, a votação foi acompanhada quase como um jogo de futebol da Copa do Mundo e todos os canais de notícias transmitiram ao vivo a sessão da comissão diretamente de Washington.

"Perdemos nos descontos", diz nesta sexta-feira o diário turco "Milliyet", que se queixa que quando a sessão deveria ter acabado e a votação caminhava com um 22 a 20 contra a resolução, o presidente da comissão, o democrata Howard Berman, estendeu o tempo e pressionou os deputados a se manifestar a favor.

Contudo, a imprensa turca também explicou que a resolução ainda deve ser votada no plenário da Câmara de Representantes, depois no Senado e, finalmente, deve ser aprovada por Obama. Isso torna bastante improvável que prospere.

"Os Parlamentos não são o local adequado para julgar a história", afirmou Davutoglu, que assegurou que o governo estava disposto a compartilhar documentos com os armênios para esclarecer o que aconteceu na Primeira Guerra Mundial.

O ministro turco se mostrou contrário à "intervenção de outros países" na polêmica sobre o genocídio já que, segundo ele, "danificam" as já complicadas relações entre Turquia e Armênia.

Mesmo assim, se mostrou disposto a continuar os "esforços para conseguir a paz e a estabilidade no Cáucaso". Porém, parece claro que os eventos de ontem afastam de certo modo a possibilidade de restabelecer relações com a Armênia, o que, há apenas alguns meses, parecia mais perto do que nunca.

Com EFE

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