"A Turquia não precisa reprimir jornalistas, blogueiros, nem a internet, porque a Turquia é suficientemente forte e dinâmica", diz

A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, criticou neste sábado a Turquia em relação à liberdade de imprensa, pedindo a seus cidadãos que se mantenham vigilantes neste assunto. "Se há um aspecto que me preocupa nos acontecimentos recentes na Turquia (...) é a da liberdade de expressão e a liberdade de imprensa", declarou a secretária de Estado em entrevista concedida à rede de notícias CNN Turk, em Istambul.

"A Turquia não precisa reprimir jornalistas, blogueiros, nem a internet, porque a Turquia é suficientemente forte e dinâmica" para autorizar a manifestação de todas as opiniões, acrescentou.Este tema, insistiu, "merece a atenção dos cidadãos e dos advogados".

Em um relatório de abril, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) contabilizou mais de 50 jornalistas presos na Turquia e outras várias centenas que correm risco de ser condenados em julgamentos.Hillary Clinton fez essas declarações no segundo e último dia de uma visita à Turquia, onde participou na sexta-feira de uma reunião do grupo de contato sobre a Líbia.

Hillary Clinton deixa reunião com ortodoxos em Istambul, na Turquia
Reuters
Hillary Clinton deixa reunião com ortodoxos em Istambul, na Turquia

Síria

Hillary Clinton afirmou em Istambul que a influência externa terá pouco impacto nos sangrentos acontecimentos gerados pela revolta na Síria. "Nenhum de nós tem realmente influência, além do fato de dizermos no que acreditamos e de estimularmos as mudanças que esperamos. Não sabemos como isto vai acabar", disse Hillary durante uma visita de dois dias à Turquia, país vizinho da Síria, à rede de televisão CNN Turk.

"O que ocorre na Síria está cercado de incerteza (...) Muitos de nós esperávamos que o presidente (Bashar) al-Assad fizesse as reformas necessárias", acrescentou. Os confrontos na Síria devem estar na agenda de negociações que Hilary Clinton realizará com líderes turcos neste sábado à tarde.

Ancara, apesar de ter mantido estreitos vínculos com a Síria nos últimos anos, pediu ao presidente Assad que realize reformas políticas e, depois, manifestou o seu descontentamento com a rejeição deste em implementá-las.

Na sexta-feira, durante uma reunião do grupo de contato sobre a Líbia, Hillary havia afirmado que o presidente sírio "perdeu a sua legitimidade diante dos olhos de seu povo devido à brutal repressão" às manifestações.

Chipre

Hillary pediu, ainda, uma solução rápida para a divisão da ilha mediterrânea de Chipre. "Acreditamos que o status quo no Chipre não beneficia ninguém", afirmou. "Queremos uma federação com duas comunidades e duas zonas, e queremos o quanto antes", acrescentou. A ilha está dividida desde 20 de julho de 1974, quando a Turquia invadiu o norte do Chipre em resposta a um golpe de Estado aplicado por nacionalistas greco-cipriotas apoiados pela Junta dos Coronéis no poder em Atenas, cujo objetivo era anexar a ilha à Grécia.

A República do Chipre conta com o reconhecimento internacional, mas a autoproclamada República Turca do Chipre do Norte (RTCN) é reconhecida por Ancara. Desde setembro de 2008 são realizadas negociações de paz entre líderes das comunidades turca e grega da ilha, mas não houve resultados até agora. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a ambas as partes que cheguem a um acordo antes de outubro.

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