Washington, 23 abr (EFE).- A secretária de Estado americano, Hillary Clinton, criticou hoje a burocracia excessiva que cerca a concessão de ajudas dos Estados Unidos ao exterior, o que faz com que o país perca terreno para a China, muito mais ágil nos trâmites.

Em comparecimento perante a Subcomissão de Dotações para Operações Exteriores da Câmara de Representantes, Hillary citou como exemplo a tramitação de ajudas da Iniciativa Mérida ao México, e disse compartilhar a "frustração" dos legisladores e do Estado vizinho com as demoras.

A chefe da diplomacia americana afirmou que é necessário incluir certas garantias para assegurar que o dinheiro chegue ao local e ao projeto correto, mas, disse, isso não explica a lentidão burocrática com a qual os fundos são liberados.

"Se não queremos dar, então digamos isso, mas se (o dinheiro) está passando pela burocracia e precisa de 900 assinaturas antes que um dólar seja gasto, então simplesmente estamos perdendo tempo e terreno", destacou.

A secretária americana explicou que, devido à falta de "agilidade" dos EUA na tramitação da ajuda, "em muitas destas circunstâncias vejo outros países, principalmente a China, preencher esse vazio" deixado por Washington.

Hillary se referia a um artigo publicado hoje no "Washington Post" e que afirma que a China aproveita a crise econômica global para assumir maior protagonismo em diferentes partes do mundo.

Para não perder mais influência, afirmou a chefe da diplomacia americana, é preciso "chegar ao fundo desta questão (...). Estamos perdendo terreno e vemos especialmente a China pisando nos nossos calcanhares, porque os países se cansam de falar com nossa burocracia e decidem fechar acordos com outros", concluiu. EFE cae/db

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