WASHINGTON - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, comemorou o consenso alcançado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar a suspensão imposta a Cuba em 1962, mas insistiu em que a ilha deve se comprometer com os valores democráticos do organismo regional.


"Cuba pode voltar à OEA no futuro se a OEA decidir que sua participação cumpre os propósitos e princípios da organização, incluindo a democracia e os direitos humanos", disse Hillary, em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado americano.

Os Estados Unidos e outros países, lembrou Hillary, tinham insistido em que a "resposta correta" era substituir a suspensão de 1962, mas condicionar o retorno de Cuba a que o país caribenho cumpra os instrumentos da organização, como a Carta Democrática.

"Fico satisfeita porque todos concordaram com a ideia de que Cuba não pode simplesmente tomar seu assento (na OEA) e que devemos submeter a participação da ilha a uma determinação mais adiante", afirmou Hillary.

"Quando chegar o dia de tomar essa determinação, os Estados Unidos continuarão defendendo os princípios da Carta Democrática Interamericana e outros elementos fundamentais da organização", enfatizou.

Tomando como base o consenso alcançado nesta quarta-feira, Hillary disse que "devemos fortalecer nossas metas com ações que nos levem além da retórica aos resultados", para avançar rumo ao "fortalecimento da boa governabilidade, às instituições democráticas e ao firme compromisso aos direitos humanos fundamentais, às liberdades e ao império da lei".

AP
Chanceleres participam da Assembleia Geral da OEA

Chanceleres participam da Assembleia Geral da OEA

Durante a 39ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), os 34 membros do órgão deixaram sem efeito a resolução que excluiu Cuba em 1962.

Além disso, deixa claro que a "participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado por solicitação do governo de Cuba e de acordo com as práticas, os propósitos e os princípios da OEA".

Em paralelo, as reações no Congresso dos EUA refletem a perene polarização gerada pelas relações com Cuba nos corredores do poder em Washington.

O presidente da subcomissão para Assuntos Hemisféricos da Câmara de Representantes, Eliot Engel, deixou claro que a resolução da OEA não significa o retorno imediato de Cuba ao órgão e que "a bola está para Cuba".

A legisladora republicana Ileana Ros-Lehtinen, de origem cubana, denunciou a decisão, por considerar que os membros da OEA, liderada pelo secretário-geral José Miguel Insulza, só buscam "apaziguar seus ídolos tirânicos em Cuba".

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