Washington, 15 jan (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, viaja amanhã ao Haiti, junto com o administrador da agência para o desenvolvimento internacional (Usaid), Rajiv Sah.

A chefe da diplomacia dos Estados Unidos anunciou sua viagem em uma entrevista coletiva no Departamento de Estado, durante a qual disse que decidiu visitar Haiti após ter consultado o presidente Barack Obama.

No Haiti, Hillary vai se reunir com o presidente do país, René Préval, e com outros membros do Governo haitiano. Ela também se encontrará com a equipe do Governo dos EUA que está em solo haitiano, incluindo militares e civis.

A secretária de Estado suspendeu na quarta-feira uma viagem à Ásia e nesse mesmo dia voltou de Honolulu (Havaí) para Washington, onde, com o apoio do titular da Usaid, assumiu a coordenação da ajuda americana dada pelas agências subordinadas ao seu departamento.

Hillary visita o Haiti há 35 anos. Ela e o ex-presidente Bill Clinton passaram sua lua-de-mel no país, motivo pelo qual se mostrou muito impressionada com a situação no país em várias entrevistas concedidas após a tragédia.

A visita ao Haiti permitirá a Hillary, que levará em seu avião provisões e pessoal de assistência humanitária ao país mais pobre da América, comprovar e supervisionar o esforço do Governo dos EUA para ajudar à nação caribenha após o terremoto.

Também aproveitará a ocasião para manifestar pessoalmente ao povo haitiano "o apoio" dos EUA e dizer que "não estão sozinhos enfrentando essa crise", assinalou.

Hillary explicou que pediram que fosse ao Haiti e após analisar a proposta durante o dia todo, tomou todas as medidas para não obstaculizar o trabalho humanitário no terreno. Por isso não sairá da área do aeroporto, ressaltou.

A titular do departamento de Estado tomou a decisão de viajar para Haiti após dois dias de intensas gestões e reuniões de emergência no departamento de Estado e da Casa Branca para coordenar, junto com o secretário de Defesa, Robert Gates, a resposta americana ao desastre no Haiti.

Lembrou que o Governo começou o ano passado a trabalhar intensamente com o Haiti para ajudar a estabilizar ao país, criar oportunidades de empregos e investimentos estrangeiros, baseando seus esforços em um plano elaborado pelo Executivo haitiano.

Na opinião de Hillary, Haiti estava avançando, a conferência de doadores do ano passado era um êxito, as empresas estrangeiras estavam começando a investir no país e a abrir fábricas, quando ocorreu o terremoto e jogou todo o empurrão positivo abaixo.

"Haiti sofreu enormemente ao longo de sua história", disse, mas, acrescentou, os haitianos mostraram um enorme resistência a todas as revezes que sofreram.

A secretária de Estado antecipou que haverá provavelmente outra conferência internacional de doadores para ajudar ao país caribenho a enfrentar a tragédia e as tarefas de reconstrução.

Mas não será simplesmente uma conferência para arrecadar fundos, mas que os Estados Unidos quer que se vincule a objetivos concretos.

A possibilidade de realizar uma conferência a abordou hoje em uma conversa telefônica com seu colega francês, Bernard Kouchner, e seu colega brasileiro, Celso Amorim.

Hillary também falou com o presidente dominicano, Leonel Fernández, informou seu porta-voz, Philip Crowley.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Diferente dos dados do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU, e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE cai/dm

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