Hillary Clinton pede a Pequim que publique nomes de mortos de Tiananmen

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu nesta quarta-feira ao governo chinês que publique os nomes das pessoas mortas, desaparecidas ou presas durante a repressão das manifestações da Praça Celestial (Tiananmen) em 1989 em Pequim, há exatos 20 anos.

AFP |

"Deveríamos, por ocasião do vigésimo aniversário da violenta repressão pelas autoridades chinesas das manifestações na Praça Celestial, recordar a perda trágica de centenas de vidas inocentes e refletir sobre o significado dos acontecimentos anteriores a este dia", declarou Hillary em comunicado.

"Centenas de milhares de manifestantes foram às ruas durante várias semanas em Pequim e no resto do país, em primeiro lugar para honrar a memória do dirigente reformista desaparecido Hu Yaobang, e depois para exigir os direitos fundamentais que lhes eram negados", lembrou a secretária de Estado neste comunicado, lido por seu novo chefe da comunicação, P.J. Crowley, durante uma entrevista coletiva.

"Uma China que realizou enormes progressos do ponto de vista econômico e que está encontrando seu espaço no primeiro plano do cenário internacional deveria examinar abertamente as páginas mais sombrias de seu passado e publicar os nomes das pessoas mortas, desaparecidas ou presas, para retirar lições e curar suas feridas", acrescentou.

Centenas, talvez milhares de pessoas, morreram no dia 4 de junho de 1989 na repressão das manifestações na Praça Celestial, que a China justificou pela necessidade de restabeceler a ordem durante um forte movimento de estudantes em favor da democracia.

No dia 30 de junho de 1989, um relatório da prefeitura de Pequim mencionava "dezenas de militares mortos, 6.000 membros das forças da ordem feridas, mais de 3.000 civis feridos e mais de 200 mortos, entre os quais 36 estudantes".

Em vez de tentar impedir qualquer recordação deste aniversário silenciando a oposição, as autoridades chinesas deveriam "parar de perseguir os manifestantes e abrir o diálogo com as famílias das vítimas", considerou Hillary Clinton, que deve se encontrar ainda nesta quarta-feira no Cairo com o presidente Barack Obama.

"Este aniversário dá às autoridades chinesas a oportunidade de libertar todos os que continuam presos por motivos ligados aos acontecimentos de 4 de junho de 1989", prosseguiu.

"A China pode recordar este dia dando à proteção dos direitos humanos e ao desenvolvimento democrático a mesma prioridade que deu às reformas econômicas", finalizou.

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