Um dia depois de ir à Líbia, secretária de Estado desembarcou em Cabul e deverá encontrar presidente afegão nesta quinta

A Secretária de Estado americana Hillary Clinton desembarcou em Cabul, capital do Afeganistão, nesta quarta-feira, para uma visita surpresa apenas um dia depois de ter ido à Líbia .

Segundo o Departamento de Estado, Hillary está prevista para encontrar o presidente afegão Hamid Karzai na quinta-feira no intuito de mostrar o comprometimento dos Estados Unidos com o Afeganistão. A viagem de Clinton acontece depois de Karzai ter expressado frustração com a tentativa de combater os insurgentes do Taleban e conter o aumento dos ataques de seus aliados da rede Haqqani , que tem sua base no Paquistão.

Secretária de Estado americana Hillary Clinton cumprimenta hands with embaixador dos EUA no Afeganistão, Ryan Crocker
AP
Secretária de Estado americana Hillary Clinton cumprimenta hands with embaixador dos EUA no Afeganistão, Ryan Crocker

Os EUA enxergam o acordo político com o Taleban como a única solução para acabar com a guerra que já dura dez anos , embora o grupo insurgente tenha indicado publicamente total falta de interesse em um trato desse tipo. Em segredo, os EUA fizeram um esforço no sentido do acordo, o que irritou o presidente afegão.

As tentativas de diálogo com o Taleban se mostraram improváveis para o governo afegão depois que seu ex-presidente e principal mediador, Buhanuddin Rabbani, foi assassinado em um atentado. O suicida, que explodiu uma bomba escondida em seu turbante, se dizia um mensageiro do grupo militante.

Um oficial de alto escalão do Departamento de Estado afirmou à Associated Press que Hillary vai enfatizar que os EUA estão comprometidos com a conciliação no Afeganistão, apesar de entender um crescimento na dificuldade do processo de paz depois do assassinato do líder. Karzai afirmou na ocasião que a morte de Rabbani prova que os esforços para a paz não resolvem os problemas do Afeganistão e acrescentou que o Paquistão deveria ter uma participação mais efetiva uma vez que, segundo Karzai, o alto escalão do Taleban e da rede Haqqani estão no país vizinho.

Além disso, uma sucessão de ataques - como o do mês passado contra a Embaixada dos EUA e a base da Otan em Cabul - reforçou mais ainda a posição de Karzai. O oficial ouvido pela AP afirmou que o governo Obama é simpático ao desejo de Karzai de que o Paquistão combata os insurgentes e que Clinton deve conversar com o líder afegão sobre a necessidade do país enfrentar a rede Haqqani presente no território.

A secretária americana esteve na terça-feira na capital líbia, Trípoli, na primeira viagem de um representante do alto escalão do governo americano desde a queda do regime de Muamar Kadafi .

Sob forte esquema de segurança, ela desembarcou na Líbia, onde forças leais ao governo de transição ainda lutam contra partidários de Kadafi. Os antes rebeldes derrotaram o governo no poder há 42 anos em agosto, depois de seis meses de combates e ataques aéreos da Otan.

No Afeganistão, a coalizão de forças da Otan, a Isaf, está transferindo o controle da segurança no país para os agentes locais. A completa saída das tropas está prevista para 2014 e os 33 mil soldados adicionais enviados ano passado por Obama estão programados para deixar o país em setembro do ano que vem.

A França vai começar a retirar 200 soldados do país nesta quarta-feira, segundo informou o ministro da Defesa, Gérard Longuet.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer remover cerca de 1,4 mil soldados até o final de 2012, e completar a retirada de seus 4,5 mil soldados até o final de 2014. "Estamos realizando uma retirada proporcional", disse Longuet à rádio France Inter. "As zonas sob nossa responsabilidade serão entregues ao Exército afegão."

Com AP e Reuters

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