Hillary Clinton faz visita inédita à fronteira entre as Coreias

Em Seul, Hillary diz que EUA vão congelar bens de bancos ou pessoas que contribuem com proliferação nuclear norte-coreana

iG São Paulo |

A chefe da diplomacia americana Hillary Clinton e o secretário da Defesa, Robert Gates, realizaram nesta quarta-feira uma visita inédita e simbólica à fronteira entre as duas Coreias, para demonstrar apoio a Seul, após uma corveta sul-coreana ter sido torpedeada, ataque atribuído a Pyongyang.

Em Panmunjom, Hillary Clinton e Robert Gates entraram em uma sala de reunião atravessada pela linha de demarcação entre as duas Coreias. Os dois dirigentes puseram os pés bem no final do lado norte-coreano da peça, sob o olhar curioso de um soldado atrás da vidraça.

AFP
Soldado norte-coreano observa Hillary Clinton e Robert Gates em visita à fronteira entre Coreia do Sul e Coreia do Norte

Panmunjom está situada 50 quilômetros ao norte de Seul, em uma faixa desmilitarizada de 4 quilômetros de comprimento, de uma parte a outra da linha de demarcação.

Desde a guerra da Coreia (1950-53), os dois países, que não assinaram armistício e estão ainda, teoricamente, em guerra, são separados por uma zona de fronteira extremamente vigiada, de 240 km. Ela foi estabelecida no final do conflito para consagrar a partilha entre um Norte sob influência soviética e um Sul apoiado pelos Estados Unidos.

"Após o ataque contra a corveta Cheonan, acho que é particularmente oportuno demonstrar nosso forte apoio à Coreia do Sul, um aliado leal, e de dirigir mensagem muito clara à Coreia do Norte", havia dito Clinton à imprensa, na terça-feira, pouco antes de deixar o Afeganistão. Ela qualificou sua visita à Coreia do Sul de "verdadeiro testemunho de solidariedade".

Novas sanções

Mais cedo, Hillary Clinton anunciou que os EUA vão aplicar novas sanções contra o regime da Coreia do Norte , e alertaram para sérias consequências caso o país ataque a Coreia do Sul.

Em visita a Seul, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que os EUA estão dispostos a retomar as negociações internacionais para o desarmamento nuclear norte-coreano caso Pyongyang transmita um "sinal positivo", mas que até agora isso não ocorreu.

Hillary afirmou que Washington vai congelar os bens de bancos ou pessoas que realizem atividades vinculadas com a proliferação nuclear, além de restringir a entrada nos EUA de diplomatas norte-coreanos. Essas medidas estão destinadas a "melhorar nossa capacidade de evitar a proliferação norte-coreana, de pôr fim as suas atividades ilícitas, que ajudam a financiar seus programas de armamento, e de desencorajar outros atos de provocação", disse Hillary em uma entrevista coletiva à imprensa em Seul.

Ela insistiu que as sanções adicionais não afetarão a população da Coreia do Norte, um dos países mais miseráveis e isolados do mundo. Lembrou, além disso, que Washington mantém três linhas estratégicas contra a Coreia do Norte: esforços diplomáticos com países aliados, reforço da aliança com a Coreia do Sul e pressão contra a cúpula norte-coreana.

Tensão após naufrágio de corveta

As relações na península da Coreia estão tensas desde que Seul acusou Pyongyang de ter torpedeado uma corveta sua, em março, matando 46 marinheiros.

Seul e Washington acusam a Coreia do Norte - que desmente com firmeza - de ter torpedeado no dia 26 de março a corveta sul-corena perto da linha de demarcação marítima entre as duas Coreias, causando a morte de 46 marinheiros sul-coreanos.

Pyongyang nega vigorosamente qualquer envolvimento, brandindo a ameaça de uma "guerra total" no caso de novas sanções da ONU. No dia 9 de julho, o regime escapou de uma acusação direta da parte do Conselho de Segurança da ONU que apenas condenou "o ataque".

Manobras navais em conjunto

Manobras militares navais conjuntas em grande escala entra a Coreia do Sul e os Estados Unidos vão começar domingo, no Mar do Japão, confirmaram os dois países aliados.

O primeiro exercício, de 25 a 28 de julho, mobilizará 8.000 americanos e sul-coreanos, assim como vinte navios e submarinos, entre eles o porta-avião nuclear americano George Washington, assim como 200 aviões, entre eles o caça americano F-22, segundo comunicado do exército americano.

Outras manobras conjuntas, consagradas principalmente à defesa contra submarinos, seguirão nos próximos meses, ao mesmo tempo no Mar do Japão e no Mar Amarelo. No total, serão realizados 10 exercícios navais nos próximos meses, precisou nesta quarta o ministério sul-coreano da Defesa.

Cerca de 28.000 soldados americanos estão estacionados na Coreia do Sul para apoiar 670.000 soldados sul-coreanos que estão de frente a 1,2 milhão de militares norte-coreanos.

* Com AFP e Reuters

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