Segundo agência Reuters, secretária de Estado americana estaria negociando para presidir instituição após saída de Zoellick

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acena ao chegar ao Aeroporto Internacional de Lusaka, Zâmbia
AP
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acena ao chegar ao Aeroporto Internacional de Lusaka, Zâmbia
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, desmentiu nesta sexta-feira querer presidir o Banco Mundial. "Não quero o posto", declarou a chefe da diplomacia americana durante uma visita a Zâmbia, respondendo a uma pergunta sobre uma informação divulgada na véspera pela agência britânica Reuters.

"Não tenho discutido (isso) com ninguém. Não tenho evidenciado nenhum interesse a ninguém e não estou buscando (ocupar) esse cargo", disse Hillary em Lusaka, capital da Zâmbia.

Previamente, o governo americano negou os rumores de que Hillary Clinton estaria em discussões com a Casa Branca para deixar o cargo no próximo ano para ocupar a chefia do Banco Mundial.

"Isso é 100% falso", afirmou à AFP Philippe Reines, assessor de Hillary. "Ela não expressou em absoluto qualquer interesse nesse posto", acrescentou. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, também negou a informação. "A história é completamente falsa", afirmou.

De acordo com fontes próximas a Hillary e ao governo do presidente Barack Obama ouvidas pela Reuters, ela tem expressado interesse em ir para o Banco Mundial em 2012, quando o mandato do atual presidente da instituição, Robert Zoellick, termina.

A ex-primeira-dama dos Estados Unidos, que já foi rival do presidente Barack Obama nas últimas eleições presidenciais, tornou-se rapidamente um dos integrantes mais influentes no gabinete de Obama após assumir como secretária de Estado no início de 2009.

Hillary tem dito publicamente que não planeja ficar no Departamento de Estado por mais de quatro anos. Na quinta-feira, a Reuters afirmou que colegas de Hillary dizem que ela vinha expressando interesse em chefiar o Banco Mundial. "Hillary Clinton quer o cargo", disse uma fonte que conhece a secretária muito bem, confirmando a declaração de outra fonte.

Segundo uma terceira fonte ouvida pela agência, Obama expressou apoio para a mudança. Não está claro se o presidente formalmente concordou em nomeá-la para o posto, o que exigiria a aprovação dos 187 países-membros que integram o Banco Mundial.

Viagem à África

Em Lusaka, Hillary promoveu os benefícios de uma parceria econômica americana para a África, esperando levar a mensagem dos EUA a um continente com o qual a China está construindo fortes laços de assistência e de investimentos.

Hillary chegou à Zâmbia no início de uma viagem de cinco dias à África. Ela também passará pela Tanzânia e pela Etiópia para salientar a iniciativa do governo Obama para ajudar os países africanos em desafios que vão do HIV/Aids à segurança alimentar e a acelerar o crescimento econômico.

"Atualmente, a África está numa posição forte para reforçar esse progresso", disse Hillary, ressaltando que o continente agora abriga os "emergentes dos mercados emergentes". Ela afirmou, no entanto, que a África e os EUA precisam trabalhar para ampliar e aprofundar os laços econômicos que ainda são dominados pela riqueza petrolífera da África e não beneficiam os mais pobres. "A exportação mais comum de todas ainda é um barril de petróleo", disse a secretária.

Em Lusaka, Hillary foi recebida por empresárias africanas que se beneficiaram com a ajuda dos EUA em um encontro do AGOA, o programa americano transformado em lei pelo marido da secretária, o ex-presidente Bill Clinton, em 2000 para dar preferência comercial a cerca de 37 países africanos.

*Com AFP, EFE e Reuters

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