Hillary Clinton defende diplomacia reconciladora, mas descarta diálogo com o Hamas

Hillary Clinton, futura secretária de Estado dos Estados Unidos, defendeu uma diplomacia reconciliadora com o restante do mundo, nesta terça-feira, em audiência no Senado, após as tensões deixadas pelos oito anos da administração Bush.

AFP |

Descartou, no entanto, "categoricamente", qualquer diálogo com o Hamas, enquanto o grupo radical palestino não tiver reconhecido Israel como Estado e desistido da violência. "Essa é uma questão básica para mim."

"Os Estados Unidos não podem resolver somente os problemas mais urgentes do mundo e o mundo não pode resolvê-los sem os Estados Unidos', declarou Hillary Clinton à comissão das Relações Exteriores do Senado durante a audiência de confirmação no cargo para o qual foi nomeada.

"A potência americana deixou a desejar, mas continua sendo desejada", disse a ex-primeira-dama.

Ela prometeu renovar a potência dos EUA com uma diplomacia que fortaleça nossa segurança, faça progredir nossos interesses e reflita nossos valores.

"A política externa deve se fundar na união de princípios e do pragmatismo, não sobre uma ideologia rígida", acrescentou.

Quanto ao conflito em Gaza, Clinton indicou que o governo Barack Obama fará todos os esforços pela paz entre israelenses e palestinos.

"O presidente eleito e eu entendemos e somos profundamente compreensivos com o desejo de Israel de se defender nas atuais circunstâncias, e de se livrar dos disparos de foguetes do Hamas", disse Hillary Clinton.

"No entanto, também nos lembrou dos trágicos custos humanitários decorrentes do conflito no Oriente Médio e da dor e do sofrimento de civis palestinos e israelenses", acrescentou.

A ex-primeira-dama e ex-candidata à eleição presidencial afirmou que os recente acontecimentos em Gaza reforçaram a determinação dela e do futuro presidente Obama de buscar um acordo de paz justo e duradouro.

"Vamos empreender todos os esforços para apoiar o trabalho de israelenses e palestinos em busca desse resultado", destacou.

Na audiência, ela afirmou também que a melhoria das relações sino-americanas não devem ser um esforço "em sentido único" e depende da atitude de Pequim.

"Desejamos uma relação positiva e de cooperação com a China, no seio da qual nos aprofundaremos e reforçaremos nossas relações num certo número de domínios", disse Hillary, segundo o texto de seu discurso.

"Mas não é um esforço no sentido único. Grande parte do que faremos dependerá das escolhas que a China fizer sobre seu futuro interna e externamente", acrescentou a ex-primeira-dama de 61 anos, nomeada pelo presidente eleito Barack Obama, seu antigo rival nas primárias democratas, para assumir a diplomacia americana.

Em seguida, Hillary Clinton afirmou que o governo de Barack Obama retomará uma política de associação vigorosa com a América Latina.

"Em todo o hemisfério, temos oportunidades de melhorar nossas relações, de forma a beneficiarem a todos, e voltaremos à política de participação vigorosa, de associação, com a América Latina", reconheceu Hillary.

"Compartilhamos interesses políticos, econômicos e estratégicos comuns com nossos amigos do sul, assim como muitos de cidadãos compartilham legados ancestrais e culturais", assinalou a ex-primeira-dama.

Especificamente com o México, terceiro parceiro comercial dos Estados Unidos, "devemos construir uma associação mais profunda para enfrentar os perigos compartilhados e os desafios de nossa fronteira, esforço iniciado esta semana".

Hillary referiu-se, assim, ao encontro que Obama manteve na segunda-feira com o presidente mexicano Felipe Calderón na primeira entrevista de um presidente com o substituto de George W. Bush na Casa Branca.

É costume entre o México e os Estados Unidos desde os anos 19980 que o presidente mexicano seja o primeiro chefe de Estado a se reunir com o novo presidente americano antes de tomar posse.

E a reconciliação não pára por aí. Em discurso otimista, ela prometeu buscar relações de cooperação com a Rússia e com o Irã.

"O presidente eleito Obama e eu buscamos um futuro de relações de cooperação com o governo russo em matérias de importância estratégica, mantendo ao mesmo tempo os valores norte-americanos e as normas internacionais", disse.

O governo do presidente George W. Bush, que entrega a presidência a Obama em 20 de janeiro, acusa a Rússia de ser cada vez mais autoritária dentro de suas fronteiras e mais agressiva com o exterior.

Com relação ao Irã, Hillary Clinton declarou que vai tentar abrir relações para tentar uma nova aproximação.

"Buscaremos uma nova, talvez diferente, uma aproximação com o Irã e adotaremos uma atitude em relação ao diálogo que talvez dê frutos", afirmou a ex-primeira-dama.

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais tentam fazer com que o Irã suspenda seu programa nuclear, suspeito de finalidades bélicas, algo que Teerã nega.

"Não temos qualquer ilusão, e sabemos que, inclusive, para um novo governo, tentar o diálogo para influenciar comportamentos é uma situação com resultados difíceis de prever", afirmou ainda Hillary que, quando era candidata à presidência, expressou dúvida sobre as intenções de Obama de dialogar com o Irã sem condições prévias.

"Mas o presidente se comprometeu com esta política e nós assim o faremos", concluiu.

col-sl/lm

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