Hillary Clinton concentra suas forças nas primárias de Indiana

Teresa Bouza Washington, 2 mai (EFE) - Os problemas de Barack Obama caíram do céu para Hillary Clinton, fazendo com que tomasse o impulso necessário para encarar com força as primárias de terça-feira na Carolina do Norte e em Indiana, um estado no qual precisa ganhar. Diferentes assessores de Hillary deixaram isso claro nas últimas semanas: a derrota em Indiana representaria o fim das ambições presidenciais da senadora democrata. Nomes como James Carville, assessor da ex-primeira-dama e grande aliado dos Clinton, foram inclusive além e previram que o aspirante que vencer em Indiana, um estado incrustado no coração do país, obterá a candidatura presidencial democrata. A campanha da senadora falou menos da Carolina do Norte, onde Obama desponta como claro favorito. Seja como for, e embora longe de fazer previsões tão enfáticas como as de Carville, os analistas coincidem na importância das primárias da Indiana para Hillary. Não há a mínima dúvida de que precisa ganhar, disse à Agência Efe Thomas Schwartz, professor de história da Universidade Vanderbilt, que afirmou que, caso contrário, Hillary teria que se retirar. Para a tranqüilidade da senadora, as pesquisas indicam que ela está na frente nas intenções de votos em Indiana. O Real Clear Politics, um site que reproduz pesquisas, concede à senadora por Nova York uma vantagem de seis pontos percentuais após fazer uma média de 16 enquetes diferentes. James McCann, professor de Ciências ...

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A vitória em Indiana não fará com que a senadora desbanque Obama, que, aconteça o que acontecer, ainda terá mais delegados, mas sim lhe permitiria alegar à elite do partido que é ela que tem mais chances de vencer as eleições de 4 de novembro.

Essa elite, um grupo de 800 pessoas conhecidas como os "superdelegados" (líderes do partido e funcionários eleitos), poderiam ter a última palavra na disputa, já que nenhum dos dois pré-candidatos democratas obterá os 2.025 delegados necessários para conquistar a candidatura presidencial.

Nessa linha, Hillary afirma que foi capaz de vencer nos maiores e mais importantes estados, como Ohio e Pensilvânia, e que atrai grupos de eleitores que serão decisivos, como a classe operária.

Sua vitória em Indiana reforçaria essa impressão.

Da mesma forma que na Filadélfia, Hillary ganhou terreno em Indiana, um estado conservador famoso por suas plantações de milho e sua paixão pelo basquete e pelas corridas de automóveis, com uma mensagem populista que encontrou eco na classe operária.

Indiana é um estado mais "branco", menos educado e mais pobre que a média do país, características demográficas que favorecem a campanha de Hillary.

Além disso, seus habitantes não são muito favoráveis a "mudanças", mensagem central da campanha de Obama, e estão desiludidos com a perda de postos de trabalho, o que permitiu que a promessa de Hillary de que criará "trabalhos, trabalhos, trabalhos" seja bem acolhida.

Mesmo assim, não falta quem chame a atenção para o fato de que seja Hillary, que cresceu em uma família abastada e faz parte da elite política de Washington, a favorita da classe operária, e não Obama, um negro de origem humilde que lutou para conquistar tudo o que tem.

"É realmente interessante", disse Schwartz, que reconheceu que Obama tem muito mais apelo com a classe intelectual.

"Eu diria que aqui na universidade, 80% dos professores respaldam Obama", afirmou o especialista.

Resta ver qual das duas forças será a que vai se impor nesta longa e árdua luta pela candidatura presidencial democrata. EFE tb/db

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