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Hillary Clinton aposta em equilíbrio na política externa dos EUA

Patricia Souza. Tóquio, 17 fev (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse hoje, em Tóquio, que a nova política externa de seu país buscará mais equilíbrio, e advertiu à Coreia do Norte que evite provocações e aceite sua total desnuclearização.

EFE |

A chefe da diplomacia da Administração do presidente dos EUA, Barack Obama, fez uma visita ao Japão, a primeira ao exterior desde que assumiu o cargo, na qual se mostrou em sintonia com seus anfitriões japoneses e reafirmou a importância concedida por Washington a seu principal aliado na Ásia.

Hillary não só qualificou o Japão de "pedra angular" dos EUA na Ásia Pacífico, mas convidou o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, a ser o primeiro a visitar a Casa Branca com Obama, e evocou as ideias de "harmonia e equilíbrio" dos templos japoneses como guia para a política externa de seu país.

"É uma boa ideia não só para os templos religiosos, mas para o papel dos EUA no mundo. Devemos criar mais equilíbrio, mais harmonia, vamos nos aproximar de nossos amigos e aliados como fazem nossos anfitriões no Japão", afirmou Hillary, após conhecer o templo xintoísta Meiji, um dos mais famosos de Tóquio.

O Japão ofereceu a Hillary honras próximas às de um chefe de Estado, com uma reunião privada com a imperatriz Michiko, como ex-primeira-dama dos EUA, e um encontro com o primeiro-ministro.

A viagem da secretária de Estado americana esteve cheia de simbolismo e gestos para um país preocupado pela relevância da China no cenário internacional, e foi dominada pela ameaça nuclear norte-coreana, aspecto no qual também concordou com o Governo japonês.

"Estamos de acordo em que as negociações multiralaterais são o marco no qual devemos trabalhar juntos para resolver o conflito norte-coreano, e deve ser estudada a situação dos sequestrados", afirmou Hillary, em entrevista coletiva, antes de se reunir com familiares de japoneses raptados pela Coreia do Norte nos anos 70 e 80.

Diante da possibilidade de que o regime comunista prepare o lançamento de um míssil intercontinental, Hillary avisou que "não se equivoque" com o Governo de Obama, que oferece "reciprocidade", mas só em troca de uma desnuclearização "completa e verificável".

"A possibilidade do lançamento de um míssil do qual a Coreia do Norte está falando seria de muito pouca ajuda para que as negociações sigam adiante", disse Hillary, em entrevista coletiva junto com o ministro de Exteriores japonês, Hirofumi Nakasone.

Exigiu que o regime de Kim Jong-il abandone "a linguagem e as ações de provocação", pois "estamos acompanhando muito de perto", mas disse que, se houver a desnuclearização, os Estados Unidos normalizariam as relações, assinariam um tratado de paz e ofereceriam ajuda ao povo norte-coreano.

"A aliança com o Japão é forte e vibrante", disse Hillary, após assinar com Nakasone um acordo pelo qual o Japão oferecerá US$ 6,09 bilhões para recolocar 8 mil marines da ilha japonesa de Okinawa ao território americano de Guam.

Segundo Nakasone, ao qual Hillary conheceu há 18 anos em Washington, Japão e EUA concordam também em que a China deve adotar "um papel construtivo" no cenário internacional.

Esta visita representa a reunião das duas primeiras economias do mundo em um momento financeiro extremamente difícil e com dois Governos em posição muito diferente: o americano estreando com forte apoio e o japonês, praticamente desmoronando.

Mesmo assim, Aso recebeu hoje de Hillary o convite mais desejado: será o primeiro líder estrangeiro a visitar Obama na Casa Branca, em 24 de fevereiro, sinal da "importância das relações Japão-EUA", segundo Nakasone.

Isso apesar de o ministro das Finanças japonês, Shoichi Nakagawa, ter anunciado hoje sua renúncia por comparecer no sábado aparentemente bêbado em uma entrevista coletiva e de ter tido que assumir que Hillary se reúna também com o líder opositor, Ichiro Ozawa.

O Japão realizará este ano eleições gerais e a popularidade do atual primeiro-ministro é de menos de 10%. EFE psh/an

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