Hillary: Brasil e Turquia ainda podem ajudar na questão iraniana

Secretária de Estado diz que países "continuarão a desempenhar um papel importante", apesar de votarem contra sanções ao Irã

iG São Paulo |

Reuters
Hillary acena ao lado do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, durante visita à Bogotá
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira que o Brasil e a Turquia poderão ter um papel importante em uma futura negociação diplomática nuclear com o Irã apesar de terem votado contra uma quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

"Na atual abordagem diplomática ao Irã, penso que a Turquia e o Brasil continuarão a desempenhar um papel importante", disse Hillary a repórteres em Bogotá, na Colômbia. Ela acrescentou que os dois países talvez tenham votado contra as sanções para "manter a porta aberta" com a República Islâmica.

"Nossa meta não é sancionar o Irã. Nossa meta é acabar com quaisquer dúvidas e questões sobre o propósito do programa nuclear do Irã, e impedir o Irã de obter armas nucleares, e essa é uma meta amplamente abraçada na comunidade internacional", disse ela.

A secretária disse que as sanções, com suas medidas contra bancos e empresas supostamente ligadas ao programa nuclear, serão efetivas e podem eventualmente trazer Teerã para negociações reais.

"Podemos desacelerar e certamente interferir e tornar muito mais difícil para eles continuar o programa nuclear, por meio dessas sanções", disse Hillary. "Ao mesmo tempo, queremos que eles voltem à mesa de negociações."

O porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que os EUA respeitam o "ponto de vista" de Brasil e Turquia. "Respeitamos o fato de que eles tenham um ponto de vista diferente sobre o impacto das sanções", declarou em uma coletiva de imprensa.

Ele acrescentou que, apesar dos votos contra deste dos países, "não existe desacordo na ONU em relação ao perigo representado por um programa nuclear iraniano sem verificação e, ainda, sobre a necessidade de que o Irã cumpra com suas obrigações internacionais".

Justificativa brasileira

Nesta quarta-feira, o Brasil votou contra a nova série de punições ao Irã, por considerar que essas medidas fortalecem os setores que não desejam o diálogo, segundo o discurso da embaixadora brasileira nesse organismo, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

"Não vemos as sanções como um instrumento efetivo. Com toda a certeza, vão provocar o sofrimento do povo do Irã e favorecer os que não querem que o diálogo prevaleça", disse a embaixadora brasileira.

Além disso, acrescentou, "experiências passadas na ONU, em especial no caso do Iraque, mostram que a espiral de sanções, ameaças e isolamento pode ter como resultado trágicas consequências".

A diplomata defendeu o acordo tripartite Irã-Brasil-Turquia, e afirmou que o governo brasileiro "lamenta profundamente" que "não tenha recebido o reconhecimento político que se merecia; não lhe deram tempo para que rendesse frutos".

Sanções aprovadas

Os 15 países do Conselho se reuniram para votar a proposta de resolução, resultado de cinco meses de negociações entre EUA, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha. As quatro potências ocidentais queriam medidas mais duras, inclusive contra o setor energético iraniano, mas Pequim e Moscou conseguiram diluir as punições previstas no documento de dez páginas.

Embora as novas sanções tenham sido suavizadas após negociações com a Rússia e a China - que têm poder de veto no Conselho de Segurança - elas reforçam ainda mais as medidas já existentes.

A resolução prevê restrições a mais bancos iranianos no exterior, caso haja suspeita de ligação deles com programas nuclear ou de mísseis. Estabelece também uma vigilância nas transações com qualquer banco iraniano, inclusive o Banco Central.

Além disso, ela amplia o embargo de armas contra o Irã e cria entraves à atuação de 18 empresas e entidades, sendo três delas ligadas às Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã, e as demais vinculadas à Guarda Revolucionária.

A resolução estabelece também um regime de inspeção de cargas, semelhante ao que já existe em relação à Coreia do Norte.

Paralelamente à resolução, 40 empresas serão acrescidas a uma lista pré-existente de empresas com bens congelados no mundo todo, por suspeita de colaboração com programas nuclear e de mísseis do Irã.

Segundo a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, as novas sanções têm o objetivo de convencer o Irã a interromper seu programa nuclear e retomar as negociações. "Há uma séria de medidas sérias e compulsórias nesta resolução. Ela é forte e ampla e deve ter um impacto significativo no Irã", disse Rice.

Com Reuters

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