Washington, 22 jan (EFE).- O Governo dos Estados Unidos formalizou hoje as nomeações de seus enviados especiais para o Oriente Médio e para o Paquistão e o Afeganistão, postos que serão assumidos por George Mitchell e Richard Holbrooke, respectivamente.

O anúncio foi feito no Departamento de Estado pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em entrevista coletiva conjunta com o presidente Barack Obama e o vice Joe Biden.

A nova chefe da diplomacia americana afirmou que os enviados especiais ajudarão os EUA em seus esforços por conseguir "a paz e a estabilidade nessas duas regiões".

Em sua primeira entrevista, Mitchell, de 75 anos, admitiu que o problema no Oriente Médio é "volátil, complexo e difícil". Porém, disse estar otimista quanto à obtenção de resultados.

O ex-senador citou sua experiência como mediador na Irlanda do Norte, onde, segundo disse, "antigos inimigos conseguiram chegar a um acordo quase 800 anos depois".

"Para conseguir a paz no Oriente Médio, será necessário aplicar capital político, recursos econômicos e a atenção muito cuidadosa das mais altas esferas dos Governos", disse.

Mitchell foi negociador para a Irlanda do Norte durante a administração do ex-presidente americano Bill Clinton.

A nomeação do ex-senador, de pai irlandês, representa um claro sinal do compromisso assumido por Obama e sua secretária de Estado com o processo de paz entre palestinos e israelenses, sobretudo depois da ofensiva militar na Faixa de Gaza.

Nos anos 90, Mitchell, que anunciou o acordo da Sexta-Feira Santa, teve um papel discreto, mas decisivo, nas negociações de paz entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte, protagonistas de um dos mais sangrentos conflitos do século XX.

Por sua vez, Holbrooke, antigo mediador americano no Pacto de Dayton, que em 1995 pôs fim à guerra da Bósnia, prometeu que fará "tudo o que puder" para atingir as metas dos EUA no Afeganistão e no Paquistão.

Esses dois países "são muito diferentes em sua geografia e em sua história, mas misturados em sua composição étnica, geograficamente e no drama político atual", declarou.

Holbrooke disse ainda que no Afeganistão trabalhará estreitamente com o chefe do Comando Central do Estado-Maior americano, o general David Petraeus, e com outros altos comandantes das Forças Armadas.

Sobre o Paquistão, o novo enviado especial reconheceu que a situação no país "é infinitamente complexa". Além disso, ressaltou que respeita "completamente as tradições" dessa nação, embora tenha feito referência "às perigosas turbulências" nas áreas tribais da fronteira com o Afeganistão. EFE ca/sc

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