Hillary anuncia ajuda ao Paquistão e pede combate ao terror

Em Islamabad, secretária de Estado americana diz acreditar que Osama bin Laden está escondido nas montanhas do país

iG São Paulo |

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acredita que o chefe da rede Al-Qaeda, Osama bin Laden, está no Paquistão, conformou afirmou nesta segunda-feira, em Islamabad.

"Acho que (Bin Laden) está aqui, no Paquistão, e que seria muito útil se pudéssemos capturar os líderes da Al-Qaeda", afirmou, quase nove anos depois dos atentados de 11 de setembro em Nova York e Washington.

No final de junho, o diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), Leon Panetta, havia declarado que Bin Laden estava "muito bem escondido e protegido em uma das zonas tribais do Paquistão, junto à fronteira afegã".

Panetta acrescentou que a região em que Bin Laden se encontra foi localizada desde o começo dos anos 2000, mas que, "desde então, foi muito difícil obter informações mais precisas".

Reuniões no Paquistão

Hillary Clinton se reuniu nesta segunda-feira com o ministro de Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, em uma rodada de diálogo estratégico para relançar as relações bilaterais além da luta contra o terrorismo.

Esta reunião entre delegações das duas partes, a segunda em nível ministerial após a celebrada em Washington em março passado, analisa os progressos obtidos por 13 grupos de trabalho nos últimos meses em âmbitos como o terrorismo, a defesa, a não-proliferação nuclear, a energia e a água.

Hillary assegurou no domingo que "os EUA estão comprometidos com uma relação estratégica longa e duradoura com o Paquistão baseada nos interesses mútuos de ambas as partes", segundo um comunicado divulgado pelo escritório do primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, com quem se reuniu.

Os principais projetos anunciados nesta segunda-feira pela secretária de Estado americana estão relacionados à água e à energia, dois setores deficientes no Paquistão, um país pobre e instável de 170 milhões de habitantes.

O plano para a água inclui vários projetos de represas nas zonas de Gomal Zam, Satpara e Baluchistão. Três hospitais serão ampliados e renovados em Karachi, Lahore e Jacobabad. Dois programas específicos serão dedicados também à agricultura, um para a formação de mulheres na produção de leite e outro para aumentar a produção e as exportações de mangas.

O valor total desses projetos supera os US$ 500 milhões, segundo documentos fornecidos à imprensa. Todos esses investimentos são possíveis graças à lei Kerry-Lugar, votada no outono passado (hemisfério norte), que concede ao Paquistão uma assistência americana recorde de US$ 7,5 bilhões em cinco anos.

Combate ao terror

Segundo os analistas, durante sua visita a Islamabad, Hillary tentará convencer as autoridades políticas e militares da necessidade de lançar uma operação na região do Waziristão do Norte, única na faixa tribal da fronteira com o Afeganistão onde não há ofensivas contra o Taleban em andamento.

O governo Obama quer que Islamabad endureça sua política contra o Taleban, que utiliza seu território para atacar as forças internacionais mobilizadas do outro lado da fronteira, no Afeganistão.

Islamabad desmente qualquer vínculo com o Taleban, mas de acordo com vários observadores, parte dos serviços de inteligência paquistaneses continua vendo os insurgentes afegãos como um apoio contra a Índia, considerada o inimigo número um do Paquistão.

A luta contra o terror é o assunto central das relações bilaterais, principalmente depois que em maio passado, um atentado frustrado na Times Square em Nova York foi reivindicado pelo principal movimento talibã paquistanês, o Tehrik e Taliban (TTP).

Desde a sua chegada a Islamabad no domingo, Hillary pediu claramente aos paquistaneses que façam mais contra o terrorismo. "Pedimos medidas suplementares, e esperamos que os paquistaneses as tomem", declarou à BBC.

Após sua visita de dois dias ao Paquistão, a segunda desde que assumiu o cargo, Hillary seguirá nesta segunda-feira para o Afeganistão, onde, na terça, participará da Conferência de Cabul - uma continuação do fórum já realizado em janeiro em Londres, sobre as estratégias do governo afegão para a estabilidade do país.

* Com EFE, AFP e BBC Brasil

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