Hillary angaria apoio de ex-crítico, enquanto Obama continua na ofensiva

Washington, 20 abr (EFE).- Dois dias antes das primárias na Pensilvânia a senadora Hillary Clinton conseguiu hoje o apoio de um de seus mais ferrenhos críticos, enquanto seu rival Barack Obama lança uma propaganda televisiva com ataques à ex-primeira-dama dos Estados Unidos.

EFE |

As primárias na Pensilvânia, onde estão em jogo 158 delegados, são as primeiras realizadas no país nas últimas seis semanas e podem definir a sobrevivência eleitoral de Hillary.

Na busca por votos para cimentar uma vitória na próxima terça, Hillary e Obama deram prosseguimento hoje aos ataques de lado a lado.

Na cidade de Reading, Obama conversou com fiéis na saída de uma igreja e, mais tarde, repetiu sua queixa de que Clinton acredita na cultura política de Washington de "dizer ou fazer qualquer coisa" por conveniência política.

"Escolhem ela como candidata porque esteve em Washington por mais tempo e sabe como jogar melhor o jogo", disse em tom irônico Obama.

Mas, na cidade de Bethlehem, Clinton respondeu que é Obama que adota uma campanha negativa desde o debate da última semana na Filadélfia.

"Na realidade é uma questão de liderança e eu lhes ofereço uma liderança com o qual podem contar", afirmou.

A Pensilvânia está entre os dez estados que ainda devem realizar primárias até junho, antes das convenções dos democratas e republicanos. Neste contexto, a disposição de confronto dos dois candidatos só aumenta, afirmam observadores.

A senadora democrata por Nova York ainda lidera as pesquisas na Pensilvânia, mas Obama está em seu encalço há várias semanas.

Clinton recebeu hoje o inesperado apoio do dono do jornal "Pittsburgh Tribune-Review", Richard Mellon Scaife, o mesmo milionário que financiou de seu próprio bolso várias investigações de grupos e publicações de cunho conservador contra o casal Clinton.

Por exemplo, o empresário despejou US$ 2,3 milhões para financiar reportagens da revista "The American Spectator" sobre a conduta e gestão de Bill Clinton como governador de Arkansas.

Algumas das investigações financiadas por Scaife contribuíram para o julgamento político contra o então presidente Bill Clinton em 1998, por mentir sobre sua relação amorosa com a estagiária Mónica Lewinsky.

Outrora crítico da Administração Clinton, Mellon Scaife entra agora para a lista de figuras públicas que apoiaram Hillary nas últimas semanas. A maior parte dos jornais da Pensilvânia apoiou Obama.

Ao apoiar Hillary, os editores do "Tribune-Review" explicaram que Obama não tem experiência suficiente para ocupar a Casa Branca e criticaram sua suposta insensibilidade por seus recentes comentários sobre a "amargura" dos eleitores em pequenas cidades.

Hillary "tem muita mais experiência no Governo" desde seus anos "como primeira-dama do Arkansas e dos EUA, até seu posto como senadora", disseram os editores.

"Ela tem um histórico de voto em assuntos-chave. Esteja ou não de acordo com ela, pelo menos conhece suas posições em vez de ficar adivinhando", declararam.

Na Pensilvânia, Hillary conta com o apoio da maior parte da máquina democrata do estado, entre eles o governador Edward Rendell, de 100 prefeitos de várias cidades e localidades-chave, e de 12 legisladores estaduais, entre outros.

Entretanto, Obama conseguiu o apoio de líderes influentes como o senador Bob Casey, o legislador afro-americano Chaka Fattah, o legislador e veterano da Guerra do Iraque Patrick Murphy e dois jornais de cidades com alta concentração de classe trabalhadora.

Obama lançou hoje uma propaganda televisiva na qual ataca Hillary, a acusando de lançar uma campanha difamatória contra ele "paga com o dinheiro de lobistas".

"Não é exatamente isto o que precisamos mudar?", questiona o anúncio.

Paralelamente ao drama de Hillary e Obama, o candidato republicano John McCain acusou hoje os dois de estarem "distantes" da realidade econômica do país e de desejarem aumentar os impostos "no pior dos tempos, quando estamos em uma recessão".

McCain descreveu como "o pior pesadelo" o apoio a programas que, na sua opinião, só representam um desperdício de fundos públicos e ameaçam aumentar o déficit fiscal dos EUA.

Os funcionários da campanha de McCain disseram hoje que o senador continuará sua viagem nacional por alguns dos estados mais atingidos pela pobreza, entre eles Ohio e Kentucky. EFE mp/bf/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG