Hillary afirma que trabalhará para materializar Estado palestino

Fathi Nadoor. Ramala, 4 mar (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, encerrou hoje sua primeira visita a Israel e à Cisjordânia como chefe da diplomacia americana, com a promessa de trabalhar para conseguir materializar a solução de dois Estados na região.

EFE |

A viagem foi o contato inicial com as partes envolvidas no conflito, mas ela não visitou a Faixa de Gaza ou se reuniu com membros do movimento islâmico Hamas, grupo considerado pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE) como uma "organização terrorista".

Em sua última etapa na região, Hillary se reuniu hoje em Ramala com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e com outros funcionários palestinos, após se encontrar na terça-feira com os líderes israelenses em Jerusalém.

Na cidade cisjordaniana, a secretária de Estado americana expressou sua determinação de promover a criação de um Estado palestino, e assegurou que a paz no Oriente Médio não pode sofrer "mais atrasos".

"Temos consciência do que está em jogo e da importância" de oferecer a "esperança" aos palestinos de que algum dia terão um Estado "livre, independente e próspero", afirmou em entrevista ao lado de Abbas.

Na segunda-feira, após participar de uma conferência no Egito de doadores para a reconstrução de Gaza - devastada pela última ofensiva militar israelense-, Hillary advertiu da necessidade de que sejam abertas as passagens da Faixa para permitir a entrada de ajuda humanitária.

Na terça-feira, em Jerusalém, a ex-primeira-dama expressou compreensão com as razões de "segurança" alegadas por Israel para manter fechadas as passagens, mas hoje Hillary disse que a abertura das fronteiras de Gaza poderá cimentar as condições para que seja colocada em prática a solução de dois Estados.

A chefe da diplomacia americana também condenou a expansão de assentamentos judaicos e a política israelense de demolições de casas palestinas em Jerusalém Oriental.

"Claramente, este tipo de atividade não é útil e transgride as obrigações contraídas no Mapa de Caminho", disse a secretária americana em referência ao plano de paz elaborado pela comunidade internacional há mais de cinco anos.

Ela expressou novo respaldo a Abbas e ao primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, cujo Executivo tem sede na Cisjordânia, ao qual qualificou de o "único Governo legítimo dos palestinos".

Por sua parte, Abbas expressou seu desejo de que o próximo Governo israelense - que está sendo formado pelo líder do conservador Likud, Benjamin Netanyahu - continue a negociação com os palestinos e coloque fim à expansão das colônias em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

O presidente da ANP pediu também ao Irã para "deixar de interferir" nos assuntos internos palestinos, porque, desde que começou a fazê-lo, apenas "conseguiu aumentar a divisão" entre o Fatah, o movimento liderado por Abbas, e o Hamas, apoiado por Teerã.

Hillary discutiu com os dirigentes israelenses sobre o programa nuclear iraniano, já que Israel teme que uma política mais conciliadora e de diálogo por parte de Washington não consiga dissuadir o regime de Teerã de seus planos.

Netanyahu advertiu de que se chegará a um ponto de não retorno nesse sentido no final de 2009 ou início de 2010, segundo a imprensa local.

Em referência a uma iniciativa do líder do Likud denominada "paz econômica", que pretende impulsionar a prosperidade dos palestinos na Cisjordânia, Hillary disse que, se não for acompanhada de uma solução política, não tem possibilidade de prosperar.

A visita da chefe da diplomacia americana à região foi marcada pelo atual vazio político no qual se encontra Israel, onde governa um Executivo que defende a continuidade do processo de paz com os palestinos, mas que será sucedido por outro liderado por Netanyahu, que hesita em fazer concessões territoriais aos palestinos.

Esse último assunto desponta como o principal atrito entre a Administração do presidente americano, Barack Obama, e um eventual Governo israelense de direita radical liderado por Netanyahu. EFE fn/db

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