Líder do movimento xiita libanês afirmou que ONU não pode prender suspeitos de assassinato de ex-premiê

O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, garantiu neste sábado (2) que ninguém poderá prender os suspeitos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e descartou a possibilidade de uma guerra civil no Líbano.

Nasrallah fez essas declarações dois dias depois de as autoridades de Beirute receberem do Tribunal Especial para o Líbano a ata de acusação do caso Hariri , na qual, segundo a imprensa libanesa, quatro membros do Hezbollah são acusados pela morte do ex-líder.

Líder do Hezbollah, Hassa Nassrallah, discursa em televisão libanesa
EFE
Líder do Hezbollah, Hassa Nassrallah, discursa em televisão libanesa
"Nenhuma força poderá prender os mencionados na ata de acusação... nem em 30 dias, nem em 30 ou 300 anos", exclamou o dirigente do grupo xiita em uma videoconferência transmitida pela televisão libanesa.

Mesmo assim, Nasrallah indicou que "não haverá conflito entre sunitas e xiitas, não haverá guerra civil". "Todos devem ficar tranquilos. Deve haver um Governo responsável e disposto a tratar de modo nacional um acontecimento de tamanha índole".

Para ele, o Tribunal Especial para o Líbano tem entre seus objetivos "atentar contra a imagem da Resistência (braço armado do Hisbolá) e provocar um conflito entre libaneses, sobretudo, entre sunitas e xiitas".

Nesse sentido, Nasrallah acusou a corte de colaborar com Israel e de não permitir investigações sobre um eventual envolvimento do Estado judaico na morte do ex-líder libanês. "Este tribunal, desde sua criação, não permitiu ninguém investigar Israel. Eles (os investigadores) ignoraram as provas".

O movimento Hezbollah , que atualmente domina o governo libanês, sempre negou o envolvimento de seus militantes no caso Hariri. Em agosto do ano passado, Nasrallah divulgou informações e fotografias - embora não sejam provas contundentes - sobre o suposto envolvimento de Israel.

Ao longo do discurso do líder do movimento xiita, a televisão libanesa mostrava imagens que supostamente demonstravam que a maioria dos funcionários do tribunal estaria relacionada a Israel, à CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos) e ao FBI (polícia federal dos EUA).

Desde quinta-feira passada, as autoridades do Líbano dispõem de 30 dias para cumprir os mandados de prisão contra os quatro membros do Hezbollah indiciados no processo. Terminado esse prazo, a ata de acusação será publicada e os acusados serão convocados à sede do tribunal internacional, sediado na Holanda.

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