O grupo xiita Hezbollah negou participação no ataque com foguetes Katiushas na manhã desta quinta-feira vindos do sul do Líbano contra o norte de Israel, segundo o ministro da Informação libanês, Tarek Mitri. O ministro disse que o Hezbollah informou através de suas lideranças políticas que não estava envolvido no ataque.


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O ministro do trabalho libanês, Mohammad Fneich, disse que "o Hezbollah sempre assume a responsabilidade por seus atos". "Estamos aguardando os resultados da investigação", acrescentou.

Apesar do grupo ter negado os ataques, a ofensiva em Gaza fez crescer entre libaneses o temor de que o Hezbollah possa abrir uma segunda frente de combate para Israel.

O líder do grupo xiita, Hassam Nasrallah, disse na quarta-feira em discurso que suas forças estavam em alerta máximo e prontas para lutar contra Israel em caso de agressão. Foi a primeira vez que Nasrallah falou da possibilidade de uma nova guerra com os israelenses.

Antes disso, Nasrallah se limitava a criticar Israel, os países árabes e a comunidade internacional por nada fazer em favor dos palestinos. O Hezbollah, assim como o Hamas, recebe forte apoio político e militar de Síria e Irã, países considerados inimigos por Israel.

Após a guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006, o grupo xiita tem estado sob enorme pressão de seus rivais políticos no Líbano para se desarmar. Atualmente, o Hezbollah faz parte de um governo de união nacional com poder de veto sobre decisões importantes.

Após o ataque, que atingiu a região da cidade israelense de Nahariya, o Exército de Israel lançou um breve fogo de artilharia, atingindo os arredores das cidades libanesas de Dhaira e Tair Harfa. Segundo as autoridades israelenses, os foguetes não fizeram vítimas fatais, mas deixaram cinco pessoas feridas e outras em estado de choque.

O Exército libanês e tropas das forças de paz da ONU realizaram patrulhas para tentar identificar os autores dos disparos.

A imprensa local especulou que a facção Frente Popular para a Libertação da Palestina - Comando Geral (FPLP-CG), do líder Ahmad Jibril, poderia estar por trás do ataque. Jibril não confirmou nem negou a autoria do ataque.

Alerta máximo

O primeiro-ministro Fouad Siniora condenou o ataque a Israel, mas também criticou a retaliação israelense. Ele disse que se Israel atacar o sul do Líbano, o governo entenderá como um ataque a todo o Líbano.

Reuters

Menina palestina reage após ataques de Israel no norte de Gaza

Como medida de segurança, o sul do país foi colocado em alerta máximo. Várias escolas tiveram suas aulas canceladas, e há notícias de que moradores que vivem nas cidades ao longo da fronteira já estariam deixando suas casas e rumando para o norte. O Exército libanês enviou um grande número de tropas para o sul do Líbano e aumentou suas patrulhas na região.

O comandante das tropas de paz da ONU no sul do Líbano, general Claudio Graziano, pediu calma a Israel e aos libaneses. As tropas de paz aumentaram as patrulhas ao longo da fronteira para evitar novos incidentes.

Já o exército de Israel emitiu um comunicado dizendo que o governo e Exército libanês deveriam evitar qualquer ataque com foguetes a Israel.

Em 2006, Israel e o Hezbollah lutaram um violento conflito que matou 1,2 mil libaneses, a maioria civis, e 160 israelenses, a maioria militares.

Os ataques vindos do Líbano ocorreram após uma das noites de ataques mais intensas desde que o início da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza, com 60 ataques aéreos contra alvos que, segundo o governo israelense, incluem um depósito de armas do Hamas e túneis perto da fronteira com o Egito que seriam usados para o contrabando de armas.

Autoridades médicas palestinas afirmam que pelo menos 760 palestinos morreram desde o início dos confrontos, em 27 de dezembro. Outros 3.085 teriam ficado feridos. Por outro lado, sete soldados israelenses já morreram nos confrontos em terra e quatro civis foram mortos por foguetes palestinos.

13º dia de bombardeios


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