Hezbollah está disposto a enfrentar uma nova guerra com Israel

O líder do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, se disse disposto nesta quarta-feira a enfrentar uma nova guerra com Israel, ameaçando o Estado hebreu de represálias ainda mais intensas que as do conflito de 2006, caso abra uma segunda frente paralelamente à da Faixa de Gaza.

AFP |

"Todas as possibilidades são reais e estão abertas", afirmou, em discurso exibido no telão instalado diante de dezenas de milhares de pessoas reunidas na periferia sul de Beirute pela festa da Ashura, que lembra a morte em 680 do imã Hussein, neto do profeta Maomé.

"Devemos estar prontos para agir diante de qualquer eventualidade", declarou o líder do movimento xiita.

"A guerra de 2006 terá sido apenas um passeio para os israelenses em comparação com o que acontecerá caso se atrevam a lançar um novo ataque no Líbano", ameaçou, em referência ao conflito que deixou 1.200 mortos no país, em sua maioria civis.

Esta é a primeira vez que Nasrallah fala claramente na possibilidade de um novo conflito com Israel.

"Eu disse a (o primeiro-ministro israelense Ehud) Olmert, aquele que perdeu e foi vencido no Líbano: você não pode destruir o Hamas e você não pode destruir o Hezbollah", avisou o chefe do 'partido de Deus', antes de considerar a situação atual crítica.

"Estamos prontos para sacrificar nossas almas, nossas crianças e nossos entes queridos para defender nossas convicções", insistiu.

Na periferia sul de Beirute, um dos redutos do Hezbollah, uma multidão de dezenas de milhares escutou o discurso do chefe do partido xiita, gritando "Às suas ordens, Nasrallah" "Às suas ordens, Gaza", "Não à humilhação".

Terça-feira, Olmert lançou uma advertência ao Hezbollah contra qualquer eventual abertura de uma nova frente na fronteira norte de Israel.

Também na véspera, o general Amos Yadlin, chefe da inteligência militar, avisou que o Hezbollah poderia usar a ofensiva militar israelense em Gaza como pretexto para abrir uma segunda frente.

Israel decidiu mobilizar dezenas de milhares de reservistas, e seus efetivos podem em parte ser deslocados para a defesa da fronteira norte do país em caso de ataque do Hezbollah.

Por sua vez, o governo libanês, que possui um ministro representante do Hezbollah, já anunciou que o Líbano não gostaria de ser levado a uma nova guerra e que o partido xiita concorda com esta posição.

Nasrallah fez um apelo aos países árabes para que "sigam o exemplo do presidente venezuelano (Hugo) Chavez", cujo país ordenou terça-feira a expulsão do embaixador de Israel em Caracas, em solidariedade ao povo palestino e para protestar contra a ofensiva israelense em Gaza.

Ele se referiu desta forma principalmente ao Egito e à Jordânia, que têm relações diplomáticas com o Estado hebreu.

"Nós nos tornaremos inimigos dos países árabes que fizerem complô contra Gaza e sua resistência", disse.

O Hezbollah e o Hamas, inimigos de Israel e apoiados pela Síria e o Irã, pregam a luta armada contra o Estado hebreu e são considerados por Washington "organizações terroristas".

bur-ram/lm/fp

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