Hezbollah entrega a Israel dois soldados mortos como parte da troca de presos

O Hezbollah libanês enviou nesta quarta-feira para Israel os restos de dois soldados seqüestrados em 2006 e recuperou os corpos de combatentes de seu grupo e de palestinos como parte de uma troca que suscitou júbilo no Líbano e tristeza em Israel.

AFP |

Esta operação de troca, negociada por intermédio da Alemanha, é assegurada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na fronteira entre Israel e Líbano.

A entrega por parte de Israel para o CICV de cinco prisioneiros libaneses, dentre os quais se encontra o preso libanês mais antigo, Samir Kantar, foi efetuada após o anúncio feito pelo Exército israelense de que os corpos transferidos pelo Hezbollah haviam sido identificados como os de seus soldados capturados no dia 12 de julho de 2006.

"Entregamos hoje Ehud Goldwasser e Eldad Regev", os soldados israelenses, declarou o representante do Hezbollah, Wafik Safa, diante de dois caixões negros entregues ao CICV em Naqura, no sul do Líbano, próximo à fronteira.

A captura dos dois soldados israelenses, no dia 12 de julho de 2006 em território de Israel junto à fronteira libanesa, desencadeou uma ofensiva israelense de 34 dias na qual 1.200 pessoas morreram do lado libanês, em sua maioria civis, e 160 do lado israelense, principalmente soldados.

Israel, por sua vez, transferiu a bordo de caminhões os restos de 12 combatentes do Hezbollah e palestinos, segundo o CICV. Entre eles, o de uma palestina, Dalal al-Moghrabi, que havia liderado um ataque em território israelense em 1978 no qual 36 pessoas morreram.

Esses corpos fazem parte dos cerca de 200 restos de combatentes que devem ser entregues por Israel como parte da troca.

Mas enquanto o Líbano se preparava para comemorar o retorno de seus prisioneiros como heróis, o clima era de tristeza no lado israelense.

Em frente às residências das famílias de Ehud Goldwasser e Eldad Regev no norte de Israel, várias pessoas choravam copiosamente diante das imagens dos caixões transmitidas pela televisão.

"Foi difícil ver um caixão ser colocado no chão, e depois um outro. Foi horrível. Pedi para que desligassem a televisão porque eu não queria mais ver aquilo", disse o pai de Eldad Regev, Zvi.

"Ainda tínhamos esperança de que Eldad e Udi (Ehud) voltariam para casa vivos para que pudéssemos abraçá-los", acrescentou.

Todos os analistas políticos de Israel mencionavam "a desumanidade" do Hezbollah que esperou até o último minuto para confirmar sua morte.

Muitos no país consideram que foi pago um preço muito alto na troca prisioneiros pelos restos dos dois soldados nessa oitava transação com o Hezbollah desde 1991.

"O líder do Hezbollah vai fortalecer sua imagem de único líder árabe que enfrentou Israel e venceu", considerou o jornal israelense Maariv. A troca "envia uma mensagem negativa a nossos inimigos", acrescenta o diário Israel Hayom.

Particularmente doloroso para os israelenses é o fato de que entre os libaneses que devem ser libertados está Samir Kantar, condenado em 1980 a cinco penas de prisão perpétua e a 47 anos adicionais.

Em 1979, Kantar matou um policial no norte de Israel, seqüestrou um civil israelense que em seguida assassinou também, e por fim matou a filha deste, de três anos.

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, o classificou de "assassino cruel de crianças", acrescentando: "Quem quer que o celebre como herói, desrespeita os princípios elementares da decência humana".

Os outros prisioneiros são Jodr Zaidan, Maher Kurani, Mohammad Sorur e Husein Suleiman. Os quatro foram capturados na guerra de 2006.

No Líbano, onde nesta quarta-feira foi decretado feriado nacional, o júbilo era visível e o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, deverá fazer um pronunciamento à noite.

"O Líbano derrama lágrimas de alegria, Israel derrama lágrimas de dor", clama, triunfal, uma bandeira gigante exibida próximo à fronteira.

"Liberdade para Nasrallah, humilhação para Olmert", anunciava uma outra.

Cinco cavaleiros do Hezbollah montados em cavalos cobertos com bandeiras amarelas do grupo esperavam a chegada dos prisioneiros para os quais um tapete vermelho foi estendido próximo à fronteira. Uma cerimônia está prevista para o aeroporto de Beirute onde serão recebidos pelo presidente Michel Sleimane, pelo primeiro-ministro Fuad Siniora e pelo presidente do Parlamento Nabih Berri.

bur-lr/dm

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