As eleições legislativas do Líbano, no próximo domingo, podem dar primazia ao grupo radical xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, arrebatando a maioria no Congresso e enfraquecendo a coalizão política respaldada pelo Ocidente.

A três dias da votação, a campanha está no auge. O Hezbollah e seus aliados acusam a maioria parlamentar anti-Síria de promover "o projeto norte-americano no Líbano", enquanto Beirute adverte a população contra a "influência iraniana" no país em caso de vitória dos xiitas.

Pouco mais de 3,2 milhões de libaneses foram convocados a comparecer às urnas. Muitos são expatriados que precisarão viajar até o Líbano, já que a lei eleitoral não permite o voto no estrangeiro.

Os eleitores escolherão 128 deputados entre os 587 candidatos que se inscreveram. As cadeiras do parlamento são divididas igualmente entre cristãos e muçulmanos, para mandatos de quatro anos. Cada comunidade religiosa tem direito a um número de cadeiras proporcional a seu peso demográfico nas 26 circunscrições do país. Os deputados são designados pelo eleitorado em um sistema de votação por maioria simples.

O resultado da votação é incerto. Com uma divisão eleitoral equilirada que dificilmente dará espaço para uma vitória esmagadora de qualquer um dos lados, a maioria no parlamento será decidida por algumas poucas cadeiras de diferença, principalmente nas regiões cristãs, onde os eleitores estão fragmentados.

Pela primeira vez no país, as eleições acontecerão em um só dia, e serão acompanhadas por mais de 200 observadores internacionais. Cerca de 50.000 soldados e policiais foram mobilizados para o esquema de segurança, para garantir a tranquilidade da votação.

As eleições acontecerão após quatro anos de profunda instabilidade política no Líbano. Desde 2005, o país testemunhou assassinatos políticos, uma guerra arrasadora entre o Hezbollah e Israel, combates em um campo de refugiados palestinos entre o exército e militantes islâmicos, uma aguda crise política e choques intercomunitários que deixaram mais de 100 mortos.

As legislativas anteriores, em 2005, foram vencidas pela coalizão anti-Síria, depois do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, pelo qual muitos acusam Damasco, que havia deixado o país neste mesmo ano, após quase 30 anos de ocupação.

Segundo especialistas, seja qual for o resultado, a atual situação do Líbano não deve mudar muito, apesar dos temores ocidentais de que o Hezbollah, organização considerada terrorista por Washington, vença as eleições.

"O marasmo político vai continuar depois das eleições, porque a situação no Líbano está atrelada às questões regionais", explica Hilal Jachane, professor de Ciências Políticas da Universidade de Beirute.

"Todos os problemas do Líbano estão dependendo de avanços externos, principalmente do diálogo entre Teerã e Washington", acrescenta.

A formação do novo governo promete novas disputas, independentemente de quem sair vencedor das urnas neste domingo.

Entre os principais temas que dividem o país está a espinhosa questão do arsenal do Hezbollah, que justifica sua manutenção afirmando ser necessário ter armas em caso de um ataque israelense.

A maioria acusa o grupo de fazer o jogo do Irã e da Síria, e insiste que o Estado deve ter o monopólio das armas.

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