Hezbollah anuncia fim de conflito armado após recuo do governo no Líbano

BEIRUTE - O Hezbollah e seus aliados decidiram colocar um fim a presença armada em Beirute depois que o exército libanês revogou medidas do governo contra a organização, informa um comunicado do grupo oposicionista. Neste sábado, mais 20 pessoas morreram nos confrontos. Ao todo, já chega a 38 o número de mortos devido aos diversos atos de violência que assolam o país.

Redação com agências |

Reuters
Hezbollah decide interromper presença armada
"A oposição libanesa encerrará toda sua presença armada em Beirute de modo que a capital estará nas mãos do exército", diz o comunicado. No entanto,  ele informa também que a oposição manteria uma campanha de "desobediência civil" até que suas demandas políticas sejam atendidas.

Momentos antes do anúncio, o exército libanês revogou duas medidas contra o Hezbollah que foram o estopim da tomada do controle de Beirute pelo grupo e conclamou os militantes a se retirar das ruas e desbloquear estradas.

O exército disse que manteria o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, ligado ao Hezbollah, e que lidaria com a rede de comunicações do Hezbollah de maneira a "não prejudicar o interesse público e a segurança da resistência".

O premiê libanês Fouad Siniora já havia dito também neste sábado que havia colocado as duas medidas nas mãos do exército.

A tomada de Beirute pelo Hezbollah em três dias de conflitos enfraqueceram o governo de Siniora, apoiado pelos Estados Unidos, e reforçaram a posição do grupo militante como o mais poderoso do Líbano, depois de uma queda-de-braço de 17 meses com a coalizão governista.

Mortos nos combates deste sábado

Um membro dos serviços de segurança declarou que 14 pessoas, entre elas civis, morreram em combates registrados na cidade de Halba, na região de Akkar, entre militantes do Partido Social Nacionalista (pró-Síria) e partidários da Corrente do Futuro (maioria).

"A sede central do Partido Nacional Social Sírio (oposição pró-síria) caiu nas mãos de forças da Corrente do Futuro (pró-governamental) em Halba", assegurou esta autoridade, acrescentando que sete corpos foram encontrados no interior da sede.

Outras seis pessoas morreram quando homens armados atiraram em direção ao funeral de um civil morto nos confrontos de sexta-feira no oeste de Beirute.

Confrontos mais sangrentos desde a guerra civil

Na quinta e sexta-feira foram desencadeados os piores confrontos desde a guerra civil (1975-1990) e suscitaram temores de um novo conflito armado no Líbano, paralisado por uma crise institucional desde o fim de 2006 que opõe a maioria anti-Síria e a oposição liderada pelo Hezbollah e apoiada por Síria e Irã.

Na manhã deste sábado, ainda se podia ver milicianos do Hezbollah e militantes do outro movimento xiita, Amal, no oeste de Beirute, de onde na véspera expulsaram os partidários de Hariri.

Várias redes de televisão, uma rádio e um jornal, meios de comunicação pertencentes ao grupo do líder anti-sírio, foram obrigados a fechar devido às ameaças do Hezbollah.

"A presença de elementos armados diminuiu significativamente e os civis não correm mais perigo", segundo um porta-voz do exército.

No oeste de Beirute, algumas padarias e supermercados abriram suas portas e aos poucos as pessoas começavam a circular pelas ruas.

A estrada em direção ao aeroporto internacional de Beirute continua bloqueada por pneus e montes de terra colocados pelo Hezbollah. Segundo um jornalista da AFP, havia homens armados no local.

Os cidadãos estrangeiros seguem deixando o país pela estrada em direção à Síria. Enquanto isso, a Turquia e o Kuwait iniciaram a evacuação de seus compatriotas.

No domingo será realizada no Cairo uma reunião ministerial convocada de emergência pelo Egito e a Arábia Saudita, por temerem que o Irã xiita intensifique agora sua influência no Líbano.

Na segunda-feira, o grupo informal dos "Amigos do Líbano", integrado por 15 países e organizações internacionais, participará de uma conferência telefônica para avaliar a situação, de acordo com um responsável pelo departamento americano de Estado.

"Depois, também estudaremos a possibilidade de consultas em Nova York, no Conselho de Segurança" das Nações Unidas, afirmou.

A violência começou no Líbano na quarta-feira, quando o Hezbollah transformou uma greve de reivindicações sociais em um movimento de desobediência civil que gerou confrontos.

Estes últimos se intensificaram na quinta-feira após o discurso do líder do Hezbollah, Hassan Nasralah, que classificou como "declaração de guerra" decisões tomadas pelo governo sobre a rede de telecomunicações do movimento e exigiu que as autoridades assumam outra postura e aceitem dialogar.

Durante os confrontos em Beirute, o exército libanês se limitou a proteger edifícios oficiais sem intervir com os confrontos.

Leia mais sobre: Líbano

    Leia tudo sobre: líbano

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG