Herdeiros do jornal argentino Clarín se submetem a exame de DNA

Filhos de dona de grupo de mídia argentino fazem teste para determinar se pais verdadeiros estavam entre vítimas da ditadura militar

iG São Paulo |

Os filhos adotivos da diretora do grupo que detém o jornal Clarín, a mais poderosa companhia de multimídia da Argentina, foram submetidos a uma coleta de sangue para determinar se foram roubados de vítimas da ditadura militar (1976-1983) no país.

Os filhos de Ernestina Herrera de Noble, Marcela e Felipe Noble Herrera, apresentaram-se no Hospital Durand de Buenos Aires, acompanhados pelo advogado Héctor Silva.

Alan Iud, um dos advogados que representa as Avós da Praça de Maio, grupo que milita pela busca de filhos e netos desaparecidos durante o regime militar, manifestou sua "satisfação" pelo fato, mas se disse receoso. Ele explicou também a jornalistas que entre a primeira etapa do processo, que é a coleta de sangue, e a última, o cotejo (comparação) com outras mostras genéticas, passarão entre três e quatro semanas.

Os filhos de Ernestina Herrera de Noble anunciaram na semana passada sua decisão de se submeter voluntariamente aos testes para "terminar com a causa que gerou enormes sofrimentos tanto a eles como a sua mãe", segundo o advogado da família. O advogado da família comunicou a decisão dos irmãos à juíza Sandra Arroyo Salgado pouco antes do vencimento do prazo para recorrer à Corte Suprema de uma resolução da magistrada que ordenava a extração obrigatória das mostras genéticas.

Limite

No início de junho, a Câmara de Cassação Penal, tribunal máximo do país, confirmou a decisão da juíza, mas limitou o número de famílias com o qual se comparariam as mostras genéticas dos irmãos Noble.

De acordo com Silva, os irmãos estão dispostos a comparar suas mostras de sangue com "a totalidade do Banco Nacional Genético", como pretendiam as Avós da Praça de Maio. Em maio de 2010, por ordem da magistrada, foram recolhidas nos domicílios dos irmãos amostras de DNA, mas o banco de dados determinou que elas não eram válidas para análise por apresentar vários perfis genéticos.

Os irmãos Noble garantem que sua adoção foi legal e se consideram vítimas de "perseguição e ataques" do governo da presidente Cristina Kirchner contra o grupo midiático Clarín.

As Avós de Praça de Maio suspeitam que ambos jovens, que não têm laços de sangue entre si, possam ser filhos de desaparecidos políticos cujos perfis genéticos foram fornecidos por parentes que buscam crianças apropriadas ilegalmente durante a ditadura argentina.

Durante esse período da história do país, mais de 30 mil pessoas desaparecerem e cerca de 500 bebês foram roubados - porém, uma centena destas crianças conseguiu recuperar sua identidade graças ao trabalho das Avós da Praça de Maio.

*Com EFE

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