Herdeira da L'Oréal acusa a filha de querer apressar sua morte

Filha de bilionária francesa pediu a tutela de sua mãe, argumentando que ela não estaria em condições de gerir sua fortuna

iG São Paulo |

A herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, se declarou vítima de um "rompante indigno" por parte de sua filha, que aparentemente deseja precipitar sua morte, segundo críticas feitas em um comunicado, um novo capítulo de uma novela jurídico-familiar, que nas últimas semanas, atingiu a alta esfera política do país.

O caso tem provocado constrangimentos para o governo de Nicolas Sarkozy por causa das acusações, feitas por uma ex-contadora de Bettencourt, de que a bilionária e seu marido, que já morreu, teriam feito doações ilegais para políticos conservadores.

O escândalo, - que atingiu o ministro do Trabalho, Eric Woerth e o partido de Nicolas Sarkozy , a governamental União por um Movimento Popular (UMP) -, saltou à luz quando a única filha da herdeira do grupo francês de cosméticos recorreu aos tribunais para pedir a tutela de sua mãe, argumentando que ela não estaria em condições de gerir sua fortuna.

"É um rompante indigno da parte de quem diz querer me proteger", afirmou Bettencourt, de 87 anos, em um comunicado difundido na noite de quarta-feira, horas depois que sua filha, Françoise, voltar a pedir que a justiça coloque sua mãe "sob tutela".

O confronto entre Liliane Bettencourt, terceira fortuna da França, avaliada em 16 bilhões de euros (US$ 21 bilhões), e sua filha está há meses no âmbito judicial, por uma queixa que Françoise Bettencourt Meyers apresentou contra o fotógrafo François Marie Banier. Ela acusa o fotógrafo de abusar da fragilidade de sua mãe, que teria dado para ele cerca de um bilhão de euros em doações.

"Minha filha poderia esperar pacientemente por minha morte, ao invés de fazer todo o possível para precipitá-la", afirmou Liliane Bettencourt no comunicado em que diz que sua filha "está mal aconselhada".

Françoise Bettencourt Meyers pediu na terça-feira a um juiz que coloque sua mãe sob tutela da justiça, medida que já havia solicitado, em vão, no final de 2009. Liliane Bettencourt se declarou "penalizada e ofendida" por esse novo pedido de sua filha, em uma entrevista ao canal de televisão France 3.

A multimilionária anunciou, além disso, que pediu a seu conselheiro Patrice de Maistre, que organize uma "auditoria independente" das duas empresas, Tethys e Clymene, que gerenciem sua fortuna.

Quatro prisões no círculo íntimo de Liliane

Tanto François Marie Banier quanto Patrice de Maistre, e outras duas pessoas foram detidas preventivamente nesta quinta-feira, indicaram fontes ligadas às investigações.

As outras duas pessoas detidas por decisão da brigada financeira da polícia francesa são o ex-advogado de Liliane Bettencourt, Fabrice Goguel, e o gerente da ilha de Arros (arquipélago das Seychelles), Carlos Vejarano.

"Essas quatro pessoas estão sob custódia para interrogatório a respeito do conteúdo das gravações secretas", disse a porta-voz do promotor Philippe Courroye, da localidade de Nanterre, nos arredores de Paris. As detenções, que poderão durar 48 horas, estão relacionadas com o conteúdo de gravações clandestinas entre Bettencourt e seus assessores.

Sarkozy nega acusações

O presidente francês Nicolas Sarkozy classificou na última semana de "calúnias com o objetivo de difamar" as acusações de que sua campanha presidencial de 2007 recebeu financiamento ilegal da herdeira do grupo L'Oréal por meio de Woerth.

O presidente francês lamentou que atualmente "haja mais interesse pela pessoa que cria um escândalo do que pela pessoa que cura, que trabalha ou que constrói".

O ministro do Trabalho também negou terminantemente ter recebido dinheiro ilegal de Bettencourt e rejeitou renunciar. "Nunca recebi no plano político o mínimo euro que não fosse legal", afirmou Woerth na última semana.

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