O número de helicópteros sobrevoando São Paulo e o intenso tráfego aéreo transformaram a cidade em um episódio real sul-americano do (programa de TV) The Jetsons, diz uma reportagem de página inteira publicada nesta sexta-feira no jornal britânico The Guardian. O jornal explica que, por causa do alto número de moradores e carros circulando na cidade, que causam engarrafamentos de até 200 quilômetros, os ricos executivos, banqueiros e empresas jornalísticas, entre outras, estão optando pelo helicóptero como meio de transporte.

"O caso de amor de São Paulo com helicópteros começou em 1994, depois da introdução de um plano econômico do governo que atrelou a nova moeda brasileira ao dólar. O resultado foi a repentina entrada de helicópteros feitos nos Estados Unidos. Em meados de 90, a gigante americana de helicópteros Bell chegou a introduzir cursos de treinamento para pilotos em português, por causa do aumento da demanda no Brasil." Hoje, com o Brasil vivendo novo período de estabilidade econômica e sua moeda alcançando alta recorde de nove anos frente ao dólar, o número de helicópteros está voltando a crescer em São Paulo.

Segundo o jornal, "há constante fluxo de helicópteros cruzando o céu da cidade, pequenos pontos subindo e descendo enquanto fazem seu caminho, de heliponto para heliponto".

À frente de Tóquio e Nova York

"De acordo com a Agência Nacional de Aviação do Brasil o número de helicópteros no Estado de São Paulo saltou de 374 para 496 entre 1999 e 2008, fazendo da cidade a capital mundial do helicóptero, à frente de Tóquio e Nova York."

O Guardian afirma que só na cidade de São Paulo há 420 helicópteros, que podem ser vistos cruzando os céus noite e dia.

São pelo menos 70 mil vôos de helicópteros sobre o centro da cidade a cada ano e 420 helipontos em São Paulo, o que representa 75% dos helipontos no Brasil e 50% a mais do que em todo o Reino Unido. "Analistas afirmam que outros 83 helicópteros devem se somar à frota da cidade até 2010", diz a reportagem.

Cidade dividida

Segundo a reportagem, a "moda" está transformando São Paulo em uma cidade dividida, como o Rio de Janeiro, onde os moradores pobres da favela convivem com milionários dos prédios à beira da praia.

"Em cima, o mundo da era espacial onde equipes de noticiários voadoras viajam pelo céu para seu próximo furo de reportagem e ricos executivos transitam sem esforços entre condomínios de luxo, balneários na praia e reuniões de negócios; embaixo, o caos congestionado onde a vasta maioria dos moradores se espremem juntos em uma orgia de engarrafamentos e acidentes de moto."

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