Helen Mirren, uma tremenda loirona

Ator só deveria abrir a boca para falar aquilo que está no texto a ser decorado para a peça ou o filme. Mesmo assim, olha lá.

BBC Brasil |

Peguemos o caso de Dame Helen Mirren, possivelmente a melhor e mais completa atriz britânica da atualidade. Insuperável nas séries Prime Suspect, como a policial Jane Tennison, e até mesmo no filme The Queen, uma comédia impagável supostamente sobre a atual Rainha Elizabeth, ela deu um banho.

Não deve ser muito inteligente a Dame Helen. O que está no figurino. Todos nós e nossas tias sabemos que os melhores atores são os mais burros. Premissa válida principalmente para os países não pertencentes ao Reino Unido. Aqui, como da formação depende um conhecimento ao menos razoável de Shakespeare, ator tem que rebolar, rebolar, rebolar com sua massa cinzenta.

Helen - deixemos os títulos para lá, já que na profissão não é de bom-tom usá-los - andou dando declarações algo esotéricas para os jornais. Melhor tivesse calado e usado de sua expressão número 36, alínea 7, aquela em que a sobrancelha esquerda é levantada, os olhos semicerrados e os lábios procuram entrar pela boca adentro.

Que disse, afinal, a divina (a outra "divina" é a também Dame, só que Judy e além do mais Dench) atriz?
Helen Mirren revelou para a imprensa o motivo que a levou a parar de usar cocaína nas horas de lazer. Nada a ver com o preço. Ou com os perigos para a saúde. Ou a ilegalidade da hedonística empreitada.

Helen Mirren detém um Oscar por seu desempenho na hilariante farsa satírica (só os cinéfilos esclarecidos ou os observadores astutos da atual realeza britânica moraram na jogada) que foi The Queen, ou "A Rainha Indomável", conforme quero crer que tenha sido batizado o filme no Brasil.

Detém o Oscar como refém, eu diria rimando, dado o grotesco da situação.

Detém e não solta, a não ser que lhe dêem US$ 20 milhões em dinheiro batido e um avião para as ilhas Cayman. Nada indica que, quando da filmagem da oscarizada película em questão, Helen tenha recorrido ao "pó maldito", para adotar o linguajar da paupérrima profissão jornalística.

Helen parou de "ir nas coisas" (agora passamos para outro tipo de mundo da baixaria) há algum tempo. Vejam os motivos da moça e façam vocês os cálculos.

Dame Helen Mirren declarou numa entrevista para a pretensiosa revista GQ ("quinzenário dos cavalheiros", por assim dizer) que decidiu abandonar o "vício hediondo" (bom dia para vocês também, jornalistas do GQ) quando soube que Klaus Barbie, nazista, criminoso de guerra, mais conhecido como "o açougueiro de Lyon", e que vivia um gostoso fim de vida na - onde mais? - América do Sul exercendo a profissão de manda-chuva da cocaína.

Faço minhas, façam de vocês - mas com um pé atrás - as palavras de La Mirren:
"Eu adorava cocaína. Nunca cheirei muito. Só um pouquinho nas festas. Mas o que botou um ponto final nessa história foi o dia em que descobri, no início dos anos 80, que Klaus Barbie estava foragido na América do Sul e vivia da exploração da droga. Quando li isso num jornal, todas as peças do jogo caíram em seus devidos lugares e eu vi como uma pequena cafungada (a little sniff, no original) minha numa festa levava diretamente a este horrível pascácio (fucking, no original) na América do Sul."
Foi quando a grande atriz parou de cheirar pó. Quando, voltando às palavras que ninguém escreveu para ela, "até aquele momento, ela nunca se dera conta da horrenda estrutura total de como a coca chega às festas da Grã-Bretanha." Quer dizer, dona Dame Helen não teria nada contra se a droga fosse preparada por quatro índias com os filhos nas costas.

Passando das drogas a aspectos menos controvertidos de sua profissão e seu sexo, Dame Helen Mirren diz, aparentemente sóbria, de cara limpa, que sempre foi "uma loura de seios grandes. Isso pode ser uma desvantagem terrível em minha profissão. Uma profissão que não admite que uma mulher possa ser inteligente se ela é loura e tem seios grandes. A inteligência não combina com o pacote final, o que resulta numa condescendência das mais insultuosas. Do ponto de vista profissional."
Isso aí.

Dame Helen Mirren, ao que parece, gostou de entrar numa controvérsia. Nesta semana, com o exemplar do GQ ainda nas bancas, ela voltou ao ataque.

Resumo: ela diz ter sérias dúvidas quanto à validade de certas acusações de estupro feitas por algumas mulheres. A inteligente atriz, que já foi apenas loura e peituda, acha que, em certos casos, quando a mulher, no último instante, se recusa ao ato sexual completo, as coisas jamais deveriam chegar aos tribunais de Justiça.

Desnecessário acrescentar que uma plêiade de mulheres - honestas, louras, morenas, altas, baixas, feias, bonitas, peitudas, sem peito, tudo - botou a boca no mundo reclamando.

Na própria cidade de Lyon, Klaus Barbie foi julgado culpado por crimes contra a humanidade e condenado à prisão perpétua. O ex-"açougueiro" daquela mesma cidade, e ex-traficante internacional de cocaína, morreu de leucemia na prisão no dia 4 de julho de 1987, aos 77 anos de idade.

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