Havana e Moscou retomam parceria, com novos matizes

Miguel Bas. Moscou, 30 jan (EFE).- Rússia e Cuba voltaram hoje a ser sócios estratégicos, depois de se afastarem após a queda da União Soviética, mas desta vez com novos matizes econômicos e um pragmatismo que substitui a ideologia de então.

EFE |

Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e de Cuba, Raúl Castro, assinaram o memorando sobre os princípios de cooperação estratégica após fecharem as negociações oficiais e, ao contrário do habitual nesses casos, não fizeram declarações à imprensa, enquanto também não foi divulgado o texto do memorando.

No entanto, a troca de declarações e os outros 33 documentos assinados durante esta visita de Raúl Castro a Moscou deixam claro o texto oficial.

Ambas as partes insistiram em destacar a transcendência desta visita do líder cubano a Moscou, a primeira a quase um quarto de século, que para Medvedev constitui um "importante marco" e para Raúl Castro representa "um momento histórico".

Entre os 34 documentos assinados durante a visita, está uma contribuição gratuita de alimentos, aparentemente destinada às regiões danificadas pelos recentes furacões, que pode alcançar 100 mil toneladas de trigo, equivalentes a cerca de US$ 28 milhões, segundo o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin.

Eles assinaram ainda um memorando de entendimento entre o ministério da Educação e Ciência russo e o ministério da Educação Superior cubano, e outro entre os ministérios de Esporte, Turismo e Juventude da Rússia e o Instituto Nacional de Esporte, Educação Física e Recreação cubano.

Também está previsto um crédito estatal destinado à compra de maquinaria para os setores energético, agrário e da construção, por um valor que ambos coincidiram em classificar como "informação confidencial".

Sechin, no entanto, acrescentou que "o crédito anterior, de US$ 235 milhões, está a ponto de se esgotar".

Outros acordos preveem o financiamento por um banco russo da aquisição por Cuba de aviões de passageiros Tupolev-204 SE, o fornecimento de automóveis e caminhões, o intercâmbio de estudantes, entre outros pontos.

Mas Cuba não esqueceu as lições do passado recente, quando o apoio de US$ 4 bilhões anuais da União Soviética foi sucedido pelo abandono total após a queda do comunismo, inclusive com hostilidade.

"Somos velhos amigos, nos conhecemos nas boas e nas más horas, que é -como dizem os senhores- quando melhor se conhece as pessoas", disse hoje Raúl Castro.

Fontes da delegação cubana diziam hoje à Agência Efe que "ninguém em Cuba esqueceu o que aconteceu", por isso "agora as relações se estruturam de modo diferente, mais pragmático e, portanto, seguro".

A parte cubana não oculta seu interesse pelos investimentos da Rússia, que, por sua vez, também se preocupa em garantir seus próprios interesses.

No setor energético, por exemplo, os países acordaram criar uma empresa mista que se encarregará de modernizar a usina elétrica de Mariel, provavelmente com investimentos da Rússia, que também deve administrá-la após a obra.

Segundo Sechin, trata-se de um "modelo piloto", que poderia ser aplicado a outros âmbitos de cooperação, em particular, à pesca, que também recebeu hoje um "memorando de entendimento", e à produção de níquel e de hidrocarbonetos, que atraem especial interesse russo.

A Rússia, como indicou o vice-primeiro-ministro -que também é co-presidente pela parte russa da Comissão Intergovernamental-, também está interessada em "investimentos no setor do turismo", e em cooperação em "biotecnologia e farmacologia".

Segundo ele, trata-se de pesquisas conjuntas, mas também da compra de produtos cubanos e, sobretudo, da produção conjunta daqueles que já se elaboram em Cuba, como, por exemplo, remédios para combater o câncer, especialmente o de pulmão, e diversas formas de hepatite. EFE mb/jp

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