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Hatoyama quer Governo japonês para o povo , com ministros mais jovens

Patricia Souza. Tóquio, 31 ago (EFE).- Um dia após uma histórica vitória, o futuro chefe do Governo do Japão, Yukio Hatoyama, começou hoje a preparar seu Governo para o povo com menos burocratas e mais jovens, cuja prioridade será a revitalização econômica.

EFE |

Hatoyama, líder do até então opositor Partido Democrático (PD), obteve, com sua proposta de "mudança de regime", a maioria absoluta nas eleições do domingo e causou uma humilhante derrota ao Partido Liberal-Democrata (PLD), a força que governava o Japão desde 1955.

Os quase 33,5 milhões de votos recebidos lhe permitiriam governar sozinho, mas Hatoyama reafirmou hoje sua intenção de formar uma coalizão com os minoritários Partido Social Democrata e Novo Partido do Povo, para dar mais referendo popular a suas políticas.

Em entrevista coletiva de madrugada, o líder do PD, de 62 anos, disse que sua prioridade nestes tempos de crise é escolher seu ministro das Finanças, apostou em uma transição "suave" e prometeu "diálogo e cooperação" na frente diplomática.

O futuro líder japonês se comprometeu a criar um "Governo novo que escute a voz do povo" e coloque "ênfase em políticas para as pessoas" afetadas pela crise econômica, o envelhecimento da população e o crescente desemprego.

Hatoyama disse que sua vitória nasce da "insatisfação" do eleitorado com os Governos do PLD, cujo líder e ainda primeiro-ministro, Taro Aso, reconheceu sua responsabilidade na "grave" derrota e reafirmou que deixará a Presidência do partido.

Aso, de 68 anos, disse que o PLD não respondeu aos problemas sociais do Japão, incluindo a crescente disparidade social, e defendeu a renovação de um partido nascido em plena pós-guerra, que transformou o Japão na segunda maior potência econômica.

O baque eleitoral foi indubitável, pois o PD praticamente triplica em número de cadeiras os liberal-democratas, com 308 assentos frente a 119, em uma Casa de Representantes composta por 480 deputados.

Hatoyama será eleito primeiro-ministro pela Casa de Representantes após a constituição dessa câmara, na terceira semana de setembro, por volta do dia 15, a tempo de poder assistir à cúpula do G20, em Pittsburgh, e à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Antes, deixará nomeado seu Gabinete, ao qual quer dar um perfil muito político, com ministros mais jovens que os "dinossauros" do PLD - alguns de seus Governos tiveram como média a idade de aposentadoria - e previsivelmente várias mulheres em suas pastas ministeriais.

O PD quer marcar um antes e um depois em uma política japonesa dominada durante décadas pelo aparelho do PLD, cujo Governo era submetido ao partido, e escolheu como modelo a Administração britânica, menos burocrática e com deputados à frente de postos relevantes.

Hatoyama, que quer reduzir a extensa burocracia japonesa, criará um departamento de estratégia nacional para supervisionar as políticas do Governo e colocará cerca de 100 deputados como altos funcionários em ministérios e agências governamentais.

Muitos deles serão novatos, pois quase a metade dos parlamentares eleitos do PD (143 de 308) estreia durante a próxima legislatura.

O Partido Democrático é, em grande parte, responsável pelo rejuvenescimento da Câmara Baixa japonesa, cuja idade média será agora de 52 anos, e também pelo aumento do número de parlamentares mulheres ao recorde de 11,3% (40 das 52 deputadas são do PD).

O PLD, enquanto isso, conseguiu apenas 119 cadeiras frente às 303 que tinha desde 2005. Desses parlamentares, só cinco são novatos, sua média de idade é de 56,6 anos (frente à de 49,4 anos do PD) e 46,2% (55) herdam seus assentos de um parente. EFE psh/an

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