Hatoyama assume o poder e nomeia gabinete

O Parlamento japonês deu posse nesta quarta-feira como primeiro-ministro a Yukio Hatoyama, que tem como objetivo aplicar uma política mais socialapós 55 anos de governo quase ininterrupto da direita no país.

AFP |

Hatoyama foi eleito por 327 dos 480 deputados japoneses, enquanto 119 votaram em Masatoshi Wakabayashi, o candidato do Partido Liberal Democrata, relegado agora à oposição.

O Senado confirmou em seguida Hatoyama, presidente do Partido Democrata do Japão (PDJ) como chefe de Governo, com uma votação similar.

Sorridente, o novo premier saudou os parlamentares, em meio aos aplausos.

Vencedor das recentes eleições legislativas, o PDJ prometeu realizar uma política "a favor da vida das pessoas". O partido espera redistribuir parte da renda nacional às famílias, aos desempregados e aos aposentados, além de combater o trabalho precário e aumentar o salário mínimo.

O PDJ espera com esta política devolver a confiança aos japoneses para que consumam mais, com o objetivo de reativar a economia, e ao mesmo tempo estimular as famílias a ter filhos, em um país em crise demográfica.

Para financiar o programa, o novo governo pretende reduzir os gastos em obras públicas, além de racionalizar e descentralizar a administração.

Hatoyama quer ainda reforçar a diplomacia japonesa, com uma atitude mais independente em relação aos Estados Unidos e uma aproximação dos países asiáticos, começando pela China.

Ele declarou que deseja construir uma relação de confiança com o presidente americano, Barack Obama.

Ao mesmo tempo, no entanto, Hatoyama disse que deseja "uma troca de pontos de vista" e "um pouco de tempo para debater e apresentar sincera e reciprocamente nossas opiniões a Obama".

O novo premier é, como os três antecessores, descendente de um chefe de Governo, no caso seu avô, Ichiro Hatoyama, que ocupou o cargo entre 1954 e 1956.

Hatoyama anunciou logo depois a composição de seu governo, antes de prestar juramento diante do imperador Akihito.

Hirohisa Fujii, 77 anos, será o ministro das Finanças, um posto chave no ambicioso programa orçamentário do PDJ.

Hatoyama confiou a pasta das Relações Exteriores a Katsuya Okada, número dois do PDJ. Uma figura da ala mais esquerditsta do partido, Naoto Kan, será o titular da nova pasta de Estratégia do Estado, um elemento essencial no projeto do partido de devolver aos parlamentares o papel dirigente, reduzindo a burocracia.

Akira Nagatsuma, deputado que denunciou em 2007 um gigantesco escândalo na previdência social, comandará o ministério da Saúde, Trabalho e Assuntos Sociais. O novo ministro terá a missão de criar um salário mínimo nacional, aumentar as indenizações do seguro-desemprego e a proibir o trabalho interino nas fábricas, medidas prometidas durante a campanha eleitoral.

"É o início de uma nova era", declarou à AFP Hidekazu Kawai, professor de ciências políticas da Universidade Gakushuin.

"Mas isto não quer dizer que as pessoas estejam eufóricas, já que os eleitores estavam sobretudo descontentes com o PLD. Agora vão observar com atenção se o PDJ aplica seu programa".

O ex-premier Taro Aso renunciou na parte da manhã ao cargo e à presidência do PLD. O agora principal partido da oposição escolherá o novo líder no dia 28 de setembro.

bur.pn.roc.mc/fp

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