Hatoyama assume como primeiro-ministro e inicia nova era no Japão

Patricia Souza. Tóquio, 16 set (EFE).- Yukio Hatoyama iniciou hoje, em plena crise, um mandato histórico como primeiro-ministro do Japão, com promessas de transformar economicamente o país, reduzir a burocracia e afinar as relações com os Estados Unidos.

EFE |

O líder opositor arrasou nas urnas o conservador Partido Liberal-Democrata (PLD) nas eleições de 30 de agosto, colocando um fim ao domínio de quase cinco décadas ininterruptas no Governo.

Em uma campanha que uniu socialistas e exilados do PLD, o presidente do Partido Democrático (PD) se comprometeu em investir em programas sociais, revisar o status dos 50 mil militares dos Estados Unidos no Japão e de reorientar a economia reduzindo a dependência das exportações.

A inauguração de um sistema bipartidário na segunda economia do mundo começou com um referendo com a participação de 68% na Câmara Baixa, em que o líder do PD, desde hoje o sexagésimo primeiro-ministro do Japão, recebeu 327 votos favoráveis de um total de 480 deputados. Dentre os parlamentares, 158 iniciaram sua carreira política nesta quarta-feira e 143 são do PD.

A grande maioria dos ministros que irão compor o Governo de Hatoyama é novata, assim como ele que até agora nunca havia ocupado um cargo público, cuja experiência profissional limitava-se a dar aulas de engenharia desde o final dos anos 80.

É o caso do comandante da diplomacia japonesa, Katsuya Okada, 56 anos, que terá o desafio de se aproximar de Washington e centrar a política externa do país na Ásia.

Os que têm maior bagagem política são os titulares de Finanças, Hirohisa Fujii, 77 anos, e Shizuka Kamei, 72 anos, líder do Novo Partido do Povo, uma das duas forças minoritárias que governam com o PD, legenda que em 2007 o ex-presidente peruano Alberto Fujimori tentou uma cadeira no Senado japonês.

Kamei é ministro de Assuntos Financeiros e Mizuho Fukushima, o líder da outra força minoritária incluída no Governo, o esquerdista Partido Social Democrata (PSD), se encarregará de Consumo, além de impor a voz mais anti-EUA no conjunto.

Em sua primeira entrevista coletiva como primeiro-ministro, Hatoyama pediu paciência ao povo japonês pela inexperiência de seu Gabinete e disse que a prioridade será impulsionar a economia do país.

Hatoyama, que participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em Nova York, afirmou que espera reunir-se na próxima semana com o presidente americano, Barack Obama, com quem quer construir uma relação de confiança e manter um encontro sincero.

"É a hora de fazer uma política que não esteja controlada pelos burocratas no Japão", disse Hatoyama, repetindo um dos bordões que manteve durante toda sua campanha.

A vitória eleitoral do PD pôs fim ao regime de partido único que dominou o Japão desde 1955, mesmo ano de fundação do PLD, partido que mais tempo permaneceu no Governo, salvo em um curto período de dez meses entre 1993 e 1994.

Hatoyama, que substitui Taro Aso, é o quinto primeiro-ministro do Japão em cinco anos e o quarto consecutivo que descende de um chefe do Executivo, seu avô, Ichiro Hatoyama, governou o país de 1954 a 1956.

O avô materno do novo governante é o fundador do fabricante de pneus Bridgestone, que anteriormente pertenceu ao PLD, de onde saiu em 1993 para fundar o PD, com outros exilados dessa força política e alguns socialistas. EFE psh/dm

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