Hatoyama afirma que não pretende renunciar

O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, afirmou nesta quinta-feira que não pretende renunciar ao cargo, a menos que a maioria esmagadora dos compatriotas exija, em consequência do escândalo do financiamento de um fundo de apoio que motivou o indiciamento de dois antigos colaboradores.

AFP |

Durante uma entrevista coletiva, Hatoyama pediu desculpas pelo escândalo e chegou a chorar diante das câmeras.

"Se a maioria esmagadora vocês exigir 'Hatoyama, renúncia', então sentirei que tenho que respeitar a voz do povo, mas farei o possível para que isto não aconteça", disse o premier.

Ele justificou a decisão de não abandonar a chefia de Governo ao citar a vontade de mudança dos japoneses, que deram uma grande vitória à coalizão de centroesquerda nas eleições legislativas de 31 de agosto, acabando com meio século hegemonia conservadora.

"Muitas pessoas pediram uma mudança da maioria, e a marcha do governo de coalizão não deve ser detida. Por este motivo, decidi que não devo deixar o cargo".

Daisuke Haga, 55 anos, ex-colaborador de Hatoyama, foi acusado em uma investigação sobre o financiamento oculto de milhões de dólares ao fundo de apoio ao premier.

Haga, responsável pela contabilidade do fundo, foi acusado de violar a lei sobre o financiamento dos partidos políticos com a falsificação da origem de doações.

No entanto, o acusado foi deixado em liberdade.

O escândalo abala a imagem de Hatoyama, que poucos meses após uma eleição triunfal viu seu índice de popularidade ficar abaixo de 50%.

A mãe de Hatoyama, uma rica herdeira da fabricante de pneus Bridgestone, teria repassado durante vários anos milhões de ienes (centenas de milhares de dólares) ao fundo de apoio ao filho.

A lei japonesa proíbe que um doador individual pague mais de 15.000 dólares por ano para financiar atividades políticas.

kdf-roc/fp

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