Harare aumenta pressão contra oposição

O cerco se fechou nesta quinta-feira contra a oposição do Zimbábue, que teve seu número dois acusado de subversão, um crime passível de pena de morte, oito dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.

AFP |

O secretário-geral do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Tendai Biti, foi acusado por um tribunal do país de subversão, "complô" para fraudar os resultados das eleições gerais de 29 de março - através de suborno -, de "publicação de notícias falsas" e de "insultos ao presidente" Robert Mugabe, segundo a ata de acusação.

O texto diz ainda que Biti, preso na semana passada, "enfrenta graves acusações que podem o levar a morte".

O líder do MDC, Morgan Tsvangirai, classificou de "ridículas" as imputações e se mostrou "solidário" com seu número dois.

Em 29 de março, o MDC venceu as legislativas e Tsvangirai, com 56 anos, liderou o primeiro turno das presidenciais realizadas no mesmo dia, contra o chefe de Estado atual, Robert Mugabe, 84 anos, dos quais 28 no poder.

Conforme o segundo turno se aproxima, em 27 e junho, o regime multiplica as medidas para neutralizar a oposição.

Nas últimas duas semanas, Tsvangirai foi preso cinco vezes, assim como vários deputados do MDC.

Quatro opositores e a esposa do prefeito de Harare, também membro do MDC, foram assassinados, afirmou nesta quinta-feira o porta-voz do partido, Nelson Chamisa.

"Quatro membros de nosso movimento da juventude foram seqüestrados na terça-feira por jovens da Zanu-PF (União nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica, no poder) armados de porretes e chicotes", segundo Chamisa.

"Seus corpos foram encontrados esta manhã em várias locais de uma área a 25 km de Harare", acrescentou,

O porta-voz disse ainda que a "situação piora no país. Votações livres e justas deixaram de ser possíveis".

Segundo o MDC, pelo menos 70 de seus partidários foram assassinados desde as eleições gerais.

Horas depois, a organização defensora dos direitos humanos, Anistia Internacional (AI), anunciava em um comunicado na África do Sul que doze cadáveres, com sinais de tortura, foram descobertos em vários pontos do Zimbábue.

"A maioria dessas vítimas mostrava indícios de tortura até a morte", disse a AI em um comunicado.

Pela primeira vez, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, comumente divida sobre a crise no Zimbábue, afirmou que a situação "se deteriorou" e expressou suas dúvidas sobre a legitimidade das próximas eleições.

Além disso, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu nesta quinta-feira que a ONU realize uma "ação internacional mais ampla e mais forte" para que as eleições de 27 de junho no Zimbábue sejam livres e justas, durante uma reunião informal dos membros do Conselho de Segurança.

bur-dp/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG