Haraquiri de Gordon Brown não salvou os trabalhistas

Joaquín Rábago. Londres, 11 mai (EFE).

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Joaquín Rábago. Londres, 11 mai (EFE).- O haraquiri de Gordon Brown, que se declarou disposto a deixar a liderança de seu partido para facilitar um possível "pacto progressista" com os liberaldemocratas e outras forças que tivessem mantido seu partido no poder, finalmente não salvou aos trabalhistas. Até agora o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, teve que se render à evidência e anunciar sua retirada antes de se dirigir ao palácio de Buckingham a apresentar sua renúncia como chefe do Governo. Mas a hábil manobra do líder liberaldemocrata, Nick Clegg, de negociar simultaneamente com as duas bancadas, sim deve servir por outro lado para que esse partido arranque mais concessões aos "tories", temerosos que o poder que já aprece tão próximo lhes escape. Após 13 anos no Governo, dez deles com Tony Blair à frente, os trabalhistas têm agora a oportunidade de regenerar-se na oposição e refletir sobre as políticas que supuseram a perda de 91 cadeiras no Parlamento. Sua vantagem é que poderão se dedicar a atacar dos bancos da oposição um Governo que deve adotar medidas muito duras para reduzir um déficit que disparou nos últimos anos de poder trabalhista e maltrata a economia. Mas, como não há mal que não venha para bem, muitos políticos desse partido devem agradecer Clegg por ter facilitado a tarefa de se desfazer de um líder que parecia irremovível e que finalmente não viu outra saída que se sacrificar. O caminho ficou, assim, espaçoso para os políticos ambiciosos que aspiram à liderança. Ontem, quando ainda se falava de um possível pacto com os liberaldemocratas, Brown se dizia disposto a seguir provisoriamente à frente do Governo até que seus correligionários elegessem um novo líder. Mas o número 10 de Downing Street tem um novo inquilino agora e esse serviço já não será necessário. Como ele mesmo comunicou hoje em seu último discurso como primeiro-ministro antes de ir para o palácio de Buckingham apresentar sua renúncia à Rainha, Brown renunciou também com efeito imediato à liderança do partido. A luta para sucedê-lo à frente do trabalhismo não vai demorar: o tempo urge e terá que "marcar" o novo primeiro-ministro, o conservador David Cameron. Entre os candidatos que poderiam concorrer ao posto está o ministro de Exteriores, David Miliband, de 44 anos, sendo que alguns também mencionam seu irmão, o titular do Meio Ambiente, Ed Miliband, de 40. O primeiro tem contra si o fato de ter titubeado em 2008 e 2009 quando alguns trataram de animá-lo para que lançasse um desafio a Brown, que, se prosperasse, talvez teria evitado agora uma derrota tão amarga do trabalhismo. Do segundo, um orador mais eloquente que o irmão, não se conhecem suas ambições políticas e talvez ele não queira embarcar no que seria, literalmente, uma luta política fratricida. Outro candidato que vem com força é Ed Balls, de 43 anos, ministro para a Escola, assessor e amigo íntimo de Brown, mas a quem se atribui uma personalidade rude que não o faz precisamente popular entre muitos de seus correligionários. Está também a única mulher, Harriet Harman, de 59 anos, a atual número dois, que assumiu provisoriamente o cargo enquanto se elege um novo líder, mas que não tem muitas possibilidades, como também não parece tê-las Jon Cruddas, de 48, favorito do setor mais à esquerda do partido. Um possível candidato de consenso poderia ser, por outro lado, o ministro do Interior, Alan Johnson, de 59, com fama de conciliador, de quem também se falou há um ano como possível sucessor de Brown, embora não pareça que ambicionasse demais o cargo. EFE jr/pb

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