CABUL - Levado ao poder pelo Ocidente em 2001 e eleito em 2004, o presidente afegão Hamid Karzai é favorito para as eleições de 20 de agosto, apesar de sua limitada política de segurança e da frouxa luta contra a corrupção.

"Já trabalhamos muito", afirmou o presidente diante de quase 15.000 partidários, num comício no início de agosto em Cabul, prometendo, caso seja eleito, "uma vida melhor para todos".

Conhecido por sua elegância e sua educação, originário de uma família influente, Karzai foi durante muito tempo acompanhado de perto pelos Estados Unidos, que o colocaram no poder no fim de 2001. Eles o apoiaram oficialmente durante a eleição presidencial vitoriosa de 2004, promessa de uma nova era que atraiu grande parte da população.


Hamid Karzai é o favorito à reeleição / AP

Mas sua estrela perdeu brilho com o passar dos anos. Em Washington, a nova administração de Barack Obama não lhe poupou críticas, mas depois teve de reduzir o tom por falta de alternativa. Além disso, o ódio contra ele aumenta na população afegã diante de seu fracasso para conter a violência no pais, que se encontram em seu mais alto nível desde o início da ocupação americana.

Karzai pode, porém, comemorar alguns sucessos, em termos de saúde e educação, principalmente.

Com isso, ele é o favorito para a eleição: as manobras feitas nos bastidores nos últimos meses parecem ter-lhe assegurado um apoio necessário para vencer seus 40 adversários.

Biografia de Hamid Karzai

De origem pashtum do clã dos Popalzai, nascido em 24 de dezembro de 1957 no vilarejo de Karz, perto de Kandahar, a grande cidade do sul e berço dos talebans, Karzai estudou em Cabul e depois na Índia, onde ele se especializou em ciências políticas. Casado com Zenat, um médica pouco atuante, teve um filho em 2007.

Entre 1982 e 1994, Karzai passou a maior parte de seu tempo no exílio, principalmente no Paquistão, exceto por sua curta passagem como vice-presidente dos Assuntos Estrangeiros no governo mudjahedine em 1992.

Em 1994, quando voltou a Kandahar, ele manteve contatos com os talebans, mas rompeu laços definitivamente quando seu pai morreu em 1999, em Quetta (Paquistão), em um atentado atribuído aos estudantes da religião.

Depois de voltar clandestinamente para o Afeganistão, em outubro de 2001, Hamid Karzai foi, após a queda dos talebans, designado presidente em dezembro de 2001 na Conferência de Bonn, convocada para constituir um governo "interino" protegido pelos Ocidentais.

Confirmado em junho de 2002 por uma Loya Jirga (grande conselho tribal), ele venceu no fim de 2004 a primeira eleição presidencial de voto universal direto da história do país, com 55% dos votos.

Hamid Karzai sobreviveu a pelo menos quatro tentativas de assassinato, a última em um desfile militar, em abril deste ano, em Cabul.

Em alguns poucos comícios, com alto esquema de segurança, o presidente afegão anunciou duas prioridades: dobrar os efetivos da polícia e do exército em cinco anos, e abrir negociações com os talebans, uma proposta recorrente e que os rebeldes sempre rejeitam.

Ele também se negou a participar de um debate televisivo com seus principais rivais, que colocam amplamente em questão suas competências para dirigir o país.

A escolha que fez para candidato à vice-presidência, de Mohammad Qasim Fahim, ex-chefe tadjique suspeito de crimes de guerra, horrorizou a comunidade internacional, mas deve garantir ao presidente pashtum os votos da influente minoria tadjique.

Os líderes das comunidades uzbeques e hazara também anunciaram seu apoio ao presidente atual, cujos opositores fracassaram em formar um frente unido.

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