GAZA - O Hamas anunciou nesta segunda-feira em Gaza que proporá no Cairo uma trégua de um ano, em troca do fim do bloqueio à faixa palestina, onde prossegue com o lançamento de foguetes, enquanto Israel responde com novas operações militares.


Um bombardeio israelense contra um veículo que circulava nas imediações de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, matou um palestino e deixou outro gravemente ferido, indicaram fontes médicas locais.

Um porta-voz militar israelense disse que "o ataque aconteceu em resposta ao lançamento de duas bombas do aeroporto de Dahaniya, perto de Rafah, que caíram em áreas abertas próximas à comunidade rural de Kerem Shalom".

"O Exército atacou um carro no qual fugiam os membros da célula que lançou o foguete e confirmou ter acertado o alvo", acrescentou o porta-voz militar. Segundo ele, milícias palestinas "lançaram mais de 30 foguetes e projéteis desde o cessar-fogo de 18 de janeiro".

A rigor, a trégua foi rompida no mesmo dia em que oficialmente se estabeleceu, com milícias palestinas matando um soldado israelense e as Focas Armadas de Israel respondendo com ataques aéreos a Gaza.

A aviação israelense também bombardeou ontem à noite a região de Rafah, onde destruiu seis túneis de contrabando que comunicam a faixa palestina com o Sinai egípcio, e os restos de uma delegacia da polícia do Hamas em sua região central, que já havia sido previamente atacada.

Em declarações aos jornalistas em Gaza, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, explicou que essa é a postura que transmitirá uma delegação do grupo no Cairo, onde se encontra para negociar com Israel.


Membro do Hamas observa destruição em Gaza / AP


O governo israelense, por sua parte, não revela suas cartas em negociações nas quais também pretende conseguir a libertação do soldado Gilad Shalit, capturado por milícias palestinas em junho 2006, e não fala sobre o assunto.

"Não negociamos com o Hamas diretamente nem através da imprensa", disse Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. Ele também não se pronunciou sobre informações apontando Israel como favorável a ampliar a trégua a uma duração de um ano e meio.

Sobre essa proposta, o porta-voz do Hamas disse que "terá que ser submetida a debate por nossos líderes" e que poderia aceitar esse prazo somente se decidisse que ele "serve às aspirações do povo palestino para acabar seu sofrimento com a abertura das fronteiras e o fim do bloqueio".

Barhum insistiu em que a negociação da trégua é um assunto "completamente à margem" das negociações para a libertação do soldado israelense, cuja libertação exige Israel como condição para um cessar-fogo durável.

O compasso de espera que as negociações se abriram, até que se acorde uma trégua estável em Gaza, também não freou a violência na Cisjordânia.

Nesse outro território palestino, um homem morreu na manhã desta segunda, após trocar tiros com forças do Exército israelense no sul de Hebron, disseram fontes militares.

"Um homem palestino abriu fogo com um fuzil Kalashnikov AK-47 de seu veículo contra uma patrulha das Forças de Defesa de Israel, que responderam e o mataram", confirmou a fonte.

Moradores da região declararam que o palestino tentava se infiltrar em Israel para buscar trabalho, segundo a versão digital do jornal "Yedioth Ahronoth".

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