Hamas troca lançamento de foguetes por atividades sociais e culturais

Saud Abu Ramadan. Gaza, 2 ago (EFE).- O movimento islâmico Hamas reorientou suas prioridades nos seis meses depois da dura ofensiva israelense na Faixa de Gaza para passar a se concentrar em trabalhos sociais e culturais, em vez do lançamento de foguetes.

EFE |

Os membros das Brigadas de Ezedin al-Qassam e os Batalhões de Jerusalém - braços armados do Hamas e da Jihad Islâmica, respectivamente - pararam o lançamento de projéteis contra território israelense desde que, em janeiro, terminaram os 23 dias de ataques que mataram 1,4 mil palestinos, na maioria civis.

Os milicianos, principalmente os do Hamas, concentram-se agora em atividades sociais e culturais, dentro de uma nova estratégia que seus líderes denominam de "cultura da resistência".

Campos de verão infantis, peças de teatro ou a produção de um episódio de televisão e um longa-metragem são algumas das últimas incursões do Hamas fora de suas ações frequentes de beneficência, violência política ou educação religiosa.

"Aparentemente, os líderes do Hamas tentam mudar a imagem do Hamas nas mentes dos líderes ocidentais, que ainda o veem como uma organização terrorista", afirma Raed Afana, especialista universitário em Gaza sobre o Oriente Médio.

O setor mais moderado do grupo pretende lançar a mensagem à Europa e à nova Administração americana de que "o Hamas não é um grupo de terroristas, mas um movimento popular que organiza atividades sociais e culturais, e inclusive quer fazer parte de um eventual acordo de paz", diz Afana.

"Não somos terroristas, mas lutadores. Queremos mostrar ao mundo a realidade, que intelectuais e escritores venham aqui, à Faixa de Gaza, para ver como é a vida diária do povo", afirma Osama el-Esawi, ministro da Cultura do Governo do Hamas em Gaza.

"As atividades sociais e culturais são também parte da luta contra a ocupação, e isso é o que tentamos fazer", ressalta Esawi.

Ayman Taha, ex-miliciano que se tornou um dos principais líderes políticos do Hamas, defende que "a resistência armada é ainda legal e essencial no pensamento do Hamas", mas apoia as "ações sociais e culturais", porque "mantêm o apoio popular do movimento".

Na quinta-feira passada, por exemplo, o Hamas organizou o maior casamento coletivo da Faixa de Gaza, com 800 casais.

A grande cerimônia aconteceu no norte de Gaza, uma das áreas mais castigadas pela recente ofensiva israelense e cenário nos últimos anos de violentos enfrentamentos entre milicianos palestinos e soldados israelenses.

Durante a cerimônia, o homem forte do Hamas em Gaza, Mahmoud Zahar, disse aos casais que "o povo palestino está decidido a organizar seus casamentos, apesar das perdas de tantos mártires durante a guerra israelense em Gaza. O Hamas busca colocar um sorriso nos rostos das pessoas".

Muitas das noivas eram mulheres que tinham perdido os maridos na ofensiva.

O Hamas ofereceu US$ 500 a cada uma das novas famílias, disse Ibrahim Salah, chefe do comitê que organizou o casamento coletivo.

"A atual situação nos leva a deter o lançamento de foguetes porque, após a guerra, todos os lutadores precisavam de descanso, e as pessoas também precisavam de tranquilidade e descanso", explica Taha.

Parte da população local pressionou o Hamas para que parasse o lançamento de foguetes, devido ao temor da resposta israelense, que durante a ofensiva passava atingiu, em grande parte, os civis.

O Exército israelense avaliou em menos de um por dia o número de foguetes e bombas disparados a partir de Gaza desde 18 de janeiro, em contraste com as dezenas que eram lançadas diariamente antes do ataque. EFE sar-ap/an

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