Hamas também anuncia trégua, mas violências prosseguem em Gaza

O Hamas anunciou neste domingo uma trégua de uma semana, depois que Israel pôs fim unilateralmente sua ofensiva na Faixa de Gaza, onde os palestinos retiraram dezenas de corpos de entre os escombros das casas bombardeadas.

AFP |

O grupo islâmico Hamas e outros grupos armados indicaram que cessarão as hostilidades durante os próximos sete dias para que as tropas israelenses possam se retirar da Faixa de Gaza.

Mas, no domingo pela manhã, o território palestino foi cenário de trocas de tiros e de um ataque da aviação israelense, e o primeiro-ministro Ehud Olmert reconheceu que era um "frágil" cessar-fogo.

"Os movimentos de resistência palestina anunciam uma trégua na Faixa de Gaza e pedem ao inimigo que retire suas tropas em uma semana e abra todos os postos fronteiriços para permitir a entrada de ajuda humanitária e produtos básicos", declarou Musa Abu Markuk, número dois do braço político do Hamas em Damasco.

Dawud Shihab, um porta-voz em Gaza da Jihad Islâmica, uma facção armada palestina, declarou que a trégua dará a oportunidade aos governos árabes para pressionar Israel com o objetivo de fazê-lo retirar todas as suas forças militares.

"Durante esse período, a resistência está disposta a responder a todos os esforços egípcios, turcos, sírios e árabes que permitam um acordo para a retirada completa das forças israelenses e a abertura total dos postos de passagem", indicou o porta-voz.

Pouco depois desse anúncio, dois foguetes disparados a partir de Gaza caíram no sul de Israel, sem deixar vítimas, informou a Polícia israelense.

Por outro lado, as tropas israelenses começaram a se retirar neste domingo de suas principais posições na Cidade de Gaza e seus arredores, em direção às fronteiras leste e norte, indicaram testemunhas, o que foi confirmado posteriormente por uma fonte militar.

Ao mesmo tempo, vários líderes europeus e árabes participaram em reunião de cúpula em Sharm el-Sheik, no Egito, para analisar o conflito, e na qual concordaram com a necessidade de se manter o cessar-fogo na região.

Os seis líderes de países-membros da União Européia presentes na reunião - Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha e República Tcheca - foram convidados a viajar depois a Israel para se reunir com Olmert.

Olmert anunciou no sábado à noite que havia ordenado a interrupção das operações na Faixa de Gaza depois de 22 dias de combates, mas indicou que as tropas permaneceriam na região e responderiam se fossem atacadas.

Depois que o cessar-fogo entrou em vigor à meia-noite GMT, Gaza viveu sua primeira noite sem bombardeios em mais de três semanas, mas em seguida foram percebidos os primeiros sinais da precariedade da iniciativa.

Militantes palestinos dispararam foguetes em direção a Israel, que respondeu com ataques aéreos, e as tropas hebraicas mataram uma menina de oito anos em Beit Hanun (norte de Gaza) e um homem de 20 anos em Khan Yunes (sul), segundo os serviços médicos.

"O Hamas provou mais uma vez esta manhã que o cessar-fogo é frágil e deve ser reavaliado minuto a minuto", afirmou Olmert poucas horas depois da entrada em vigor de uma trégua unilateral em Gaza.

"Esperamos que acabe o fogo. Mas se continuar, as forças israelenses responderão", prometeu.

Os serviços de resgate aproveitaram a trégua para chegar a áreas até agora inacessíveis devido aos intensos combates, encontrando pelo menos 95 corpos sob os escombros, incluindo os de várias crianças.

Essa descoberta elevou o número de palestinos mortos desde que Israel lançou sua operação "Chumbo Duro" no dia 27 de dezembro a pelo menos 1.300.

O Hamas comemorou a "vitória" por meio dos alto-falantes das mesquitas, enquanto que os civis se arriscavam nas ruas para contemplar as ruínas do que antes haviam sido suas casas.

"Tudo ficou completamente destruído", disse Yahia Karin, de 54 anos, de Zeitun, no sul da Faixa de Gaza, cenário de duros combates entre as tropas israelenses e os militantes do Hamas.

bur-co/dm

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