Hamas rejeita condições de Israel para Estado palestino

O líder político exilado do grupo palestino Hamas, Khaled Meshaal, rejeitou nesta quinta-feira as condições propostas pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para a criação de um Estado palestino. Em um discurso transmitido ao vivo pela televisão, Meshaal condenou a proposta de Netanyahu para que os palestinos reconheçam Israel como um Estado judeu.

BBC Brasil |

Para o líder do Hamas, o Estado palestino proposto pelo primeiro-ministro israelense "não seria mais do que uma grande prisão".

"Nós rejeitamos totalmente a posição de Israel, especialmente no que diz respeito à visão de Netanyahu sobre o Estado palestino, seus territórios e fronteiras, e a condição de desmilitarização", afirmou Meshaal. "Esse Estado, em que Netanyahu quer controlar as terras, as fronteiras marítimas e o espaço aéreo, é um absurdo."
Apesar das críticas às propostas de Israel, o líder do Hamas elogiou as atitudes recentes do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de tentar retomar as negociações de paz.

Khaled Meshaal também manifestou apoio aos esforços para reconciliar o Hamas com a Autoridade Palestina, que é controlada pelo grupo rival Fatah e que recentemente libertou membros do Hamas como um gesto de "boa vontade".

Condições
As propostas de Netanyahu sobre o processo de paz foram apresentadas no último dia 14, durante um discurso considerado histórico.

O primeiro-ministro afirmou que Israel estaria preparado para apoiar a criação de um Estado palestino, mas somente com a condição de que seja totalmente desmilitarizado e de que os palestinos também se comprometam com o reconhecimento de Israel.

"Se nós recebermos essa garantia de desmilitarização e das medidas de segurança exigidas por Israel, e se os palestinos reconhecerem Israel como a nação do povo judeu, nós estaremos preparados para um verdadeiro acordo de paz, para alcançar uma solução de um Estado palestino desmilitarizado ao lado do Estado judeu", disse Netanyahu.

Ao apresentar as novas propostas de seu país para a paz no Oriente Médio, o primeiro-ministro disse que Israel não quer dominar os palestinos. Segundo Netanyahu, cada lado deve ter sua própria bandeira, governo e hino nacional.

No entanto, o premiê israelense disse que um Estado palestino não deve ter um Exército, o controle de seu espaço aéreo ou maneiras de contrabandear armas. Caso contrário, disse Netanyahu, um novo Estado armado poderia emergir como o que atualmente há em Gaza - região controlada pelo Hamas.

Logo após o discurso, um porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que as palavras do primeiro-ministro israelense eram uma "sabotagem" aos esforços pela paz no Oriente Médio.

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