Hamas reforça postura sobre Estado palestino junto a Carter

Saud Abu Ramadán. Gaza, 16 jun (EFE).- O líder do Governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, disse hoje ao ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter que o movimento islâmico aceita a criação de um Estado palestino nos territórios ocupados por Israel em 1967.

EFE |

"Se existe um projeto realista para resolver a causa palestina com o estabelecimento de um Estado nos territórios ocupados em 1967 e com plena soberania, apoiaremos", afirmou o dirigente palestino, que hoje se reuniu com Carter em Gaza.

"Estamos tentando fazer avançar o sonho de ter nosso próprio Estado independente com Jerusalém como capital", assegurou Hainye em coletiva de imprensa junto a Carter, que hoje visitou a Faixa.

As declarações de Haniyeh acontecem depois de, no domingo passado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ter dito pela primeira vez desde que assumiu o Governo que aceitaria a criação de um Estado palestino.

O chefe de Governo israelense condicionou, no entanto, o estabelecimento desse país a que seja desmilitarizado e a que reconheça "Israel como Estado judeu", além de reiterar que Jerusalém dever seguir sendo "a capital indivisível de Israel".

A prática na totalidade das iniciativas de paz, assim como as resoluções internacionais, exigem ao Estado judeu que se retire das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, de modo a permitir o estabelecimento de um Estado palestino nos territórios que Israel ocupou nessa disputa.

Esses territórios são Cisjordânia, Gaza e Leste de Jerusalém.

Apesar da carta de fundação do Hamas não reconhecer o Estado de Israel, a aceitação das chamadas "fronteiras de 67" ajuda em um reconhecimento implícito do Estado judeu.

Carter declarou na entrevista que a base para resolver o conflito palestino-israelense deve ser "uma solução de dois Estados com Jerusalém como capital compartilhada", em alusão à vontade dos palestinos de estabelecer no leste da cidade santa a capital do país.

O ex-presidente americano é a personalidade ocidental mais conhecida a ser reunir em Gaza com o líder do Hamas - movimento considerado por EUA e União Europeia um grupo terrorista - desde que há dois anos o grupo islâmico tomou a Faixa após expulsar as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Entre outros temas debatidos por Haniyeh e Carter figurou a situação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado há três anos pelo Hamas e outras duas milícias palestinas em uma base próxima à Faixa.

Perguntado sobre o assunto, Haniyeh disse: "Estamos estimulando as conversas para alcançar uma troca honorável de prisioneiros em um acordo com Israel".

O Hamas exige em troca da libertação do soldado israelense a libertação de 1.450 palestinos presos em Israel.

"Damos as boas-vindas a todos os esforços para finalizar este assunto, no qual o senhor Carter pode ajudar a que alcancemos um acordo de troca", reforçou o líder muçulmano.

Pela manhã, Carter visitou um hospital e uma escola destruídas durante a ofensiva militar israelense entre dezembro e janeiro passados, na qual morreram 1.400 palestinos, e se reuniu com funcionários da agência das Nações Unidas para o socorro de refugiados (UNRWA) e com representantes de organizações civis de Gaza.

O ex-líder dos EUA descreveu seu sentimento como "de tristeza, raiva e desespero após ver toda esta destruição estendida a pessoas inocentes".

E assegurou que enviará ao presidente Barack Obama, à secretária de Estado, Hillary Clinton e ao emissário dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, um relatório sobre a situação na Faixa palestina.

Carter fez uma viagem pelo Oriente Médio e nos últimos dias se reuniu com líderes árabes e israelenses para analisar a situação na região, onde acredita que qualquer solução de paz deve passar por considerar o Hamas como interlocutor.

Na viagem, Carter se reuniu com o presidente sírio, Bashar Asad, o líder do Hamas no exílio (Damasco), Khaled Meshaal, com o chefe de Estado israelense, Shimon Peres, e o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad. EFE Sa/rr

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