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Hamas: Nossa luta com Israel é porque nos invadiram e não porque são judeus

Londres, 26 set (EFE).- O líder da organização palestina Hamas, Khaled Meshaal, afirma que a luta de seu povo com Israel é porque nos invadiram e não porque sejam judeus.

EFE |

Entrevistado para a revista britânica "New Statesman" pelo político trabalhista britânico Ken Livingstone, Meshaal, que vive exilado na Síria, afirma que os palestinos são "vítimas de um projeto colonial chamado Israel".

"Por princípio não temos nada contra os judeus ou cristãos, mas sim que temos um problema com quem nos ataca e nos oprime. Durante muitos séculos, cristãos, judeus e muçulmanos conviveram pacificamente nesta parte do mundo. Nossa sociedade não conheceu o racismo ou o genocídio que houve na Europa", explica o líder do Hamas.

"Europa impôs o colonialismo nesta região e Israel é produto da opressão dos judeus na Europa e não de algum problema desse tipo que existisse em terras árabes", acrescenta.

"Levamos anos sofrendo vários tipos de repressão. A metade do nosso povo perdeu suas casas e terras e são negados os direitos de retorno a seus lares", denuncia Meshaal.

"A outra metade - diz - vive sob um regime de ocupação que viola seus direitos humanos fundamentais. Hamas luta pelo fim da ocupação e a devolução aos palestinos dos direitos que lhes foram tirados".

"As injustiças sofridas pelos judeus na Europa foram horríveis e criminosas, mas não foram palestinos, nem árabes ou muçulmanos que as perpetraram. Por que então hão de nos castigar por crimes alheios?", se pergunta o líder do Hamas.

Perguntado pela situação de Gaza, governada pelo Hamas, Meshaal diz que "a intenção real de Israel é pressionar ao Hamas castigando a toda a população".

"As sanções se aplicaram pouco depois do Hamas ganhar as eleições palestinas em janeiro de 2006 de forma totalmente democrática e embora a segurança é uma das maiores preocupações (dos israelenses), não é seu principal motivação", diz Meshaal.

Seu alvo principal, assegura, é "provocar um golpe contra os resultados das eleições democráticas que levaram ao Hamas ao poder.

Os israelenses e seus aliados querem fazer fracassar ao Hamas perseguindo ao povo".

"É um movimento espantoso e imoral, diz Meshaal, segundo o qual "o assédio" de Gaza continua apesar de que "observemos de fato um cessar-fogo durante os seis últimos meses".

Meshaal explica também que de um total de "12 mil prisioneiros palestinos em poder dos israelenses, cerca de 4 mil são membros do Hamas e entre estes há dezenas de ministros e parlamentares".

"Exercer seus direitos democráticos é algo que os israelenses consideram um delito. A todos esses palestinos (detidos) os levam perante um sistema israelense de justiça que não tem, no entanto, nada a ver com a justiça", denuncia o líder do Hamas.

"Em Israel funcionam dois sistema de justiça - continua Meshaal -, um se aplica aos israelenses e outro aos palestinos. É um regime de apartheid".

Perguntado sobre o que deveriam fazer EUA e Reino Unido diante dessa crise, Meshaal responde que "simplesmente exigir o cumprimento do direito internacional: a ocupação é ilegal, a anexação de Jerusalém Oriental é ilegal assim como são os assentamentos e a muralha do apartheid. Mas, no entanto, não se faz absolutamente nada". EFE jr/fk

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