Hamas quer indicar próximo premiê palestino

CAIRO - O Hamas disse nesta quarta-feira que exigirá o direito de escolher o próximo primeiro-ministro palestino e a maioria dos cargos ministeriais em qualquer governo de união com a facção Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas.

Redação com Reuters |


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A posição inicial do Hamas para uma reconciliação parece reduzir as chances de um acordo sobre um governo de união aceitável para os Estados Unidos e outras potências ocidentais. Esses países marginalizam o grupo islâmico por sua recusa em reconhecer Israel e renunciar à violência.

Durante as conversações mediadas pelo Egito, no Cairo, Mushir al-Masri, do Hamas, disse que qualquer novo governo deve ser formado a partir da eleição parlamentar de 2006. No processo eleitoral, o Hamas ficou com a maioria dos votos, o que deveria permitir ao grupo formar o governo e escolher o primeiro-ministro.

"Uma tal democracia deve ser a base sobre a qual qualquer novo governo palestino deve ser formado", afirmou Masri.

O presidente Abbas sugeriu a formação de um governo de tecnocratas apartidários para supervisionar a reconstrução de Gaza (devastada por uma ofensiva de 22 dias em dezembro e janeiro). Ele ainda estabeleceria as bases para uma nova eleição palestina presidencial e legislativa.

Além disso, o Hamas descartou nesta quarta a possibilidade de aceitar um governo de união liderado pelo primeiro-ministro de Abbas, Salam Fayyad, que tem o apoio do Ocidente. 

o presidente palestino indicou Fayyad e o seu governo na Cisjordânia ocupada depois que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em 2007.

Youssef Rizqa, conselheiro político do atual chefe de governo do Hamas, Ismail Haniyeh, demitido por Abbas em 2007, disse que o grupo está "totalmente comprometido" com seu direito de escolher o primeiro-ministro do futuro governo de união.

"Nós nunca aceitaremos Fayyad, não apenas por ele ter cometido crimes contra o povo palestino e contra a resistência na Cisjordânia, mas também porque o Fatah e Abbas não podem legalmente indicar o candidato" para primeiro-ministro, disse Rizga em uma declaração publicada num site pró-Hamas.

No sábado, Fayyad disse que pretende renunciar até o fim de março a fim de abrir caminho para a formação de um governo de união. Abbas pediu que ele permanecesse no cargo até que saíssem os resultados das negociações no Cairo.

O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, afirmou que o destino dos prisioneiros do Hamas nas prisões da Cisjordânia "continuava a lançar uma sombra" sobre os comitês formados para discutir questões no cerne da reconciliação.

"O Hamas ressaltou à delegação do Fatah sobre a necessidade de remover todos os obstáculos para pôr fim ao arquivo da detenção política na Cisjordânia", disse Barhoum.

Ele afirmou que as discussões estavam em andamento para se chegar a um "pacote de acordos" sobre todas as questões de disputa entre as facções.

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