Hamas propõe trégua de 1 ano, mas quer fronteiras abertas em Gaza

Damasco e Cairo, 26 jan (EFE).- O grupo Hamas ofereceu a Israel um ano de trégua em troca do fim do bloqueio sobre Gaza e da reabertura de suas fronteiras, anunciaram hoje seus integrantes em Damasco e em Gaza, após negociações no Egito.

EFE |

Em conversa telefônica, uma fonte da organização palestina em Damasco, que pediu o anonimato, disse à Agência Efe que a oferta foi apresentada ontem às autoridades egípcias, que intermedeiam as negociações indiretas entre o Hamas e Israel.

Segundo a fonte, seu grupo está aberto a discutir qualquer reivindicação "razoável", mas nunca aceitará um cessar-fogo permanente que represente "o fim da 'resistência palestina', já que haverá 'resistência', enquanto houver 'ocupação' (como se referem a Israel)".

A confirmação de Damasco é feita pouco depois que fontes do grupo palestino em Gaza informaram também da oferta de um ano de trégua.

Por sua parte, meios de comunicação imprensa palestinos assinalaram que o Hamas poderia se comprometer a um período de cessar-fogo temporário de até 18 meses, enquanto Israel estaria pleiteando por uma trégua de até dez anos.

No entanto, em declarações à rede de televisão "Al Arabiya", dos Emirados Árabes, o negociador do Hamas Ayman Taha afirmou que "Israel sugeriu que poderia aceitar uma trégua de 18 meses em troca de reabrir os cruzamentos e levantar parcialmente o bloqueio, mas o Hamas o rejeita: o bloqueio deve terminar completamente".

Ambas as partes retomaram nos últimos dias as negociações indiretas para consolidar a trégua em Gaza, com a mediação do Egito.

Há nove dias, em 17 de janeiro, Israel anunciou um cessar-fogo unilateral na faixa, e Hamas declarou trégua um dia depois, após três semanas de operações militares israelenses em Gaza nas quais cerca de 1.400 pessoas morreram, segundo fontes palestinas.

Uma delegação do Hamas reuniu-se hoje com funcionários do Governo egípcio, entre eles o chefe dos serviços secretos, Omar Suleiman, para tratar da consolidação desse cessar-fogo.

Enquanto isso, o Egito foi também palco de negociações para retomar o dialogo interpalestino, entre Hamas e Fatah.

Hoje, pela primeira vez em dez meses, representantes do Fatah e do Hamas se reuniram, no Cairo, para onde também viajaram delegações de outros grupos palestinos.

Em junho de 2007, o Hamas tomou pelas armas, o controle da Faixa de Gaza do Fatah, que a governava até então, pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), sob seu presidente, Mahmoud Abbas.

O representante da ANP, Azam al Ahmed, do Fatah, afirmou, em entrevista coletiva, que manteve uma longa reunião com um dos dirigentes do Hamas, Jamal Abu Hashim, com quem decidiu organizar outro encontro "para acelerar a realização de um diálogo interpalestino" no Egito.

Trata-se da primeira vez em que representantes de ambas as facções se encontram desde março do ano passado, quando se reuniram no Iêmen para estudar uma proposta para iniciar o diálogo.

Para Al Ahmed, "a reconciliação nacional é a chave para a solução de todos os assuntos como a abertura das fronteiras e a reconstrução de Gaza".

Segundo o representante do Fatah, um Governo palestino de união nacional se encarregará no futuro das fronteiras, entre elas o cruzamento de Rafah, que une Gaza ao Egito, e da reconstrução da faixa.

Apesar deste encontro, continuam as acusações mútuas entre as duas facções pela morte de seguidores.

O "número 2" do Hamas, Moussa Abu Marzuk, responsabilizou hoje, de Damasco, o Fatah pela morte de oito milicianos durante a ofensiva israelense sobre Gaza, em resposta às acusações do responsável da facção rival Yasser Abed Rabbo, que culpou o grupo Hamas pelo assassinato de militantes de sua organização. EFE gb/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG